Anos de chumbo

O movimento estudantil e a luta pela democracia.

por Camilla Scherer

fora collor

Aorganização dos estudantes foi fundamental para o impeachment do presidente Collor. (Foto: Portal R7)

Historicamente, o movimento estudantil no Brasil sempre foi um instrumento de luta política. Depois de enfrentar ditadura, repressão, Segunda Guerra Mundial e até mesmo massacres, a união dos estudantes em busca de liberdade e democracia foi um dos movimentos sociais de mais destaque e repercussão social.

Nas primeiras décadas do século, os estudantes começaram a se organizar coletivamente e a se envolver nas principais questões do país. Já em 1910 aconteceu o primeiro Congresso Nacional de Estudantes, e nas décadas seguintes, o crescimento das universidades foi mais um combustível para o movimento estudantil. Em 1937, é fundada a UNE – União Nacional dos Estudantes. Em seus primeiros anos, os participantes do movimento acompanharam a eclosão da Segunda Guerra Mundial e a participação do Brasil no conflito, que se transformou em motivo de luta e manifestação.

Estudantes Vs. ditadura

passeata cem mil

A Passeata dos Cem Mil foi um dos movimentos de contra o regime militar. (Foto: Evandro Teixeira)

No Brasil, a UNE se tornou um dos maiores símbolos de resistência à Ditadura Militar. Em 1964, quando começa o regime, a sede da União foi invadida e incendiada por militares, e o movimento estudantil, que foi oficializado por lei em 1942, por Vargas, tornou-se uma manifestação ilegal. Seus membros, que mesmo clandestinamente continuavam divulgando ideias contra o regime e a favor da democracia, passaram a ser perseguidos. Em 1968, o Ato Institucional 5 (AI-5) endurecia ainda mais a repressão aos estudantes.

Com o fim da ditadura em 1984, o movimento estudantil reconquistou sua legitimidade. Sem repressão, os estudantes foram os principais defensores do movimento das “Diretas Já”. As manifestações que levaram multidões às ruas em defesa das eleições diretas foram fundamentais para que o direito fosse conquistado e garantido a todos os brasileiros. Anos depois, já na década de 1990, os estudantes protagonizaram uma nova luta política: a campanha “Fora Collor”, que buscava tirar o então presidente Fernando Collor de Melo do cargo, depois de escândalos de corrupção.

E hoje?

Até hoje, o movimento estudantil, representado não apenas pela UNE, mas por todos os diretórios e centros acadêmicos das universidades, busca maior liberdade política, democracia e justiça. Além das reivindicações sociais, melhores condições de ensino também são uma luta constante dos estudantes.

Mesmo com a maior estabilidade política conquistada pelo Brasil nas últimas décadas e com a consequente diminuição na militância, o movimento estudantil ainda é sinônimo de luta e organização social.

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