Um recorte brasileiro na revolução árabe

Luiz Maximiano esteve no Egito e no Paquistão em meio à efervescência da Revolução Árabe.

por Wilian Olivato

Luiz Maximiliano.

Luiz Maximiliano.

Em meados de janeiro de 2011, uma multidão se aglomerou na praça Tahir no Cairo. No local, grupos de várias etnias, religiões e idades, rostos e cartazes pintados com as cores do país. Eles exigiam a saída do ditador Hosni Mubarak, que governou o Egito nos últimos 30 anos. Os protestos reverberaram em todo mundo. O cenário descrito por jornalistas era como uma zona de guerra e marcou o maior manifestação popular desde 1977.

Pouco tempo depois, em meio a todo esse clima de expectativa e tensão que pairava sob o mundo árabe, o brasileiro Luiz Maximiano construía histórias com sua câmera pelas ruas do Cairo. Antes disso, em 2008, o Paquistão surgia como um dos primeiros países no eixo árabe a promover eleições, após um período de mais de 50 anos, três golpes militares e uma crise política quase permanente. Luiz também estava lá. O fotógrafo e expõe parte dessa história durante o mês de maio em exposição no Museu da Imagem e Som, em São Paulo.

Luiz tem se destacado no mercado editorial brasileiro. Sua carreira como fotógrafo teve início promissor em 2007, quando foi premiado pela Canon na Holanda. De lá pra cá, já foi finalista de uma das maiores seleções para jovens fotógrafos – a Joop Masterclass da World Press Photo – e acumula diversos prêmios, sendo o último deles o Prêmio Abril de Jornalismo na categoria ‘Retratos’.

Na entrevista que você confere a seguir, o paranaense de Assis Chateubriand fala de suas coberturas e comenta a situação no mundo árabe.

Universitag: Você esteve por duas  vezes no Cairo, um mês depois dos protestos que marcaram a Revolução Árabe e um ano depois desse momento. Quais as diferenças que você percebeu e como foram essas experiência?

Luiz: Na primeira vez, apesar da tensão por ser estrangeiro, era muito claro o clima de festividade nas ruas. As pessoas se sentiam donas da revolução e paraiva um sentimento de vitória após a queda do Mubarak. A segunda vez foi completamente diferente, ficava claro que as pessoas estavam frustradas, se sentindo traídas, pois acreditavam numa abertura maior, tanto no sentido politico, quanto no sentido ideológico. O que não aconteceu. É evidente que eles querem mais liberdade.

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(Foto: Luiz Maximiano)

U: Como brasileiro, vivendo em uma democracia, qual a relação que você estabelece numa pauta como essa, em locais onde as liberdade individuais e política são diferentes?

L: Na verdade nós temos muito mais em comum, guardadas as proporções de contexto e cultura. O povo árabe sempre está sendo oprimido de alguma forma, o que , o que gera um pessimismo com relação ao futuro. O Brasil viveu isso por um bom tempo depois da ditadura. Não se sabia ao certo se as coisas dariam certo. E também com relação à corrupção, temos muito em comum. Os governos lá são marcados por isso, o que nós sabemos muito bem como é.

No caso do Paquistão eu via essa semelhança também. A Benazir (Benazir Butho, candidata assassinada dois meses antes das eleições de 2008) voltava pro país e trazia junto uma esperança que o pai dela ajudou a construer, porque o cara é uma lenda lá. Era parecido com o clima que viva o Brasil nas eleições de 2002, onde ficava evidente a vitória do Lula e isso gerava um clima de grande expectativa. Quando ela foi assassinada naquele comício em dezembro, marcou esse momento de terrorismo que a gente vive hoje, não dá pra saber o que esperar.

(Foto: Luiz Maximiano)

(Foto: Luiz Maximiano)

U: E as diferenças? Nenhuma?

L: Essa questão do estado laico é interessante. Lá não existe isso. Diferentemente do Brasil, onde a gente tem uma aparência de que o estado sofre uma influência de uma ou outra religião, nos países árabes o estado de “obriga” o sujeito a viver do jeito que a religião ensina, mesmo que você não acredite naquilo. Isso é bem diferente.

Serviço

A exposição “Paquistão: um país, diversas guerras” pode ser vista até o dia 10 de junho no Museu da Imagem e do Som, localizado na Av. Europa 158, Jardim Europa, em São Paulo. O preço da entrada é R$ 6 (inteira) e R$ 3 (meia). A exposição integra o programa Nova Fotografia 2013.

Cairo

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(Foto: Luiz Maximiano)

(Foto: Luiz Maximiano)

http://www.luizmaximiano.com/#s=0&mi=2&pt=1&pi=10000&p=9&a=0&at=0

Paquistão

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(Foto: Luiz Maximiano)

(Foto: Luiz Maximiano)

http://www.luizmaximiano.com/#s=0&mi=2&pt=1&pi=10000&p=6&a=0&at=0

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