Vai pagar no cartão senhor?

Com aumento de 12%, tarifa de trasporte público em Bauru chega perto dos R$3,00. Setor público ainda trata Cartão de passe como garantia de segurança.

por Felipe Godoy

(Foto: EMDURB)

(Foto: EMDURB)

“Eu pego ônibus todos os dias, duas vezes por dia e às vezes até mais”, essa é a rotina da estudante de biologia Talita Matoso e de muitas outras pessoas que utilizam o transporte público. Por fazer parte do cotidiano de boa parte da população o preço da passagem e a qualidade do serviço sempre geram discussões.
Recentemente, em Bauru, a Prefeitura Municipal aprovou um reajuste de 12%  na tarifa do transporte, que passou de R$2,60 para R$2,90 no pagamento em dinheiro, e de R$2,40 para R$2,71 para quem paga com cartão de passe. O valor da integração subiu de R$0,60 para R$0,70.

Essa diferença de preço gera polêmica entre os usuários. “Eu pego ônibus apenas uma vez por semana e por isso pago em dinheiro, mas acho que o uso do cartão é só uma forma de vincular o indivíduo às empresas de ônibus de Bauru. Isso não traz benefício nenhum, apenas prejudica”, relata Guilherme Caetano, estudante de Psicologia. “Com o aumento do valor da passagem eu vou evitar ainda mais o transporte público”, completa. O principal motivo apontado para a diferença no preço do cartão e no dinheiro é o aumento da segurança nos ônibus. Outra medida visando o mesmo fim, foi a diminuição do número de cobradores.

Apesar da relutância de Guilherme, a Empresa Municipal de Desenvolvimento Rural e Urbano de Bauru (Emdurb), gestora do transporte coletivo no município, oferece um desconto de 25% no valor das passagens para estudantes cadastrados. O benefício foi implantado em 2008, mas só em 2010 os estudantes universitários passaram a ser contemplados. “Eu descobri a carteirinha de estudante no meu primeiro ano de faculdade, em 2011, com a ajuda de alguns amigos”, conta Talita, que com o aumento passará a pagar R$2,03.

Segundo a Assessoria de Imprensa da Emdurb os itens que mais contribuíram para o aumento foram a diminuição de 3,97% no número de passageiros e acréscimos de 13,61% no preço do combustível, 10,49% no custo da mão-de-obra e 11,91% no preço dos veículos, o que fez com que se chegasse a uma média de 12%.

Transtextos

Segurança:

Desde 2008 foram adotados valores diferentes para o pagamento da tarifa de transporte público. Os passageiros que pagavam com o cartão de passe tinham um desconto de cerca de R$0,15 em relação àqueles que pagavam em dinheiro. Hoje a diferença é de R$0,20, mas o aumento da segurança não é unânime entre os usuários. “De certa maneira me sinto mais segura, mas isso não garante segurança total”, opina Talita. Para Guilherme a segurança não aumenta nem diminui devido a adoção dos cartões de passe.

Cobradores:

Há alguns anos, também visando o aumento da segurança, foi implementada uma política de diminuição no número de cobradores. Inicialmente esses profissionais passaram a atuar apenas nos horários de pico e depois deixaram de atuar, fazendo com que os motoristas bauruenses cumprissem dupla função sem que houvesse aumento proporcional no salário. “Sinto falta de um cobrador, acho que o motorista fica muito sobrecarregado pois além de ter de dirigir tem de cobrar. Isso acaba atrapalhando e gerando atrasos”, afirma a estudante de biologia. “A falta de cobrador beneficia somente as empresas de transporte”, afirma Guilher.

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