A nova onda do Feminismo no Facebook

Como mulheres têm usado as redes sociais para se organizarem dentro do Feminismo

Por Aline Ramos

O short curto da colega foi o suficiente para que Talia Monteiro entrasse em mais uma discussão em sala de aula. Inconformada com declarações de que “mulher deve se dar ao respeito”, desabafou num grupo do Facebook: “eu não aguento mais, vivo cercada por machistas”. Já Taynah Quirino fala sobre novas orientações e regras do mesmo grupo. Com mais de 5 mil membros, administrado por 10 mulheres, “Feminismo Brasil” é um dos muitos grupos feministas que tem surgido no Facebook, em que só  mulheres são aceitas.

(Imagem: Negahamburguer)

Estes espaços têm surgido como um ambiente de formação, debate, informação e amparo emocional para todos os tipos de mulheres. As redes sociais tem dado um forte suporte ao Feminismo. No último mês a campanha #eunãomereçoserestuprada, que surgiu em resposta a polêmica pesquisa do IPEA em que 26% dos entrevistados acreditam que uma mulher deve ser “atacada” ao andar com roupas que mostram o corpo, mostrou a força que o Feminismo tem atingido na internet. A campanha levou a criação do grupo “Eu Não Mereço Ser Estuprad@ [OFICIAL]”, já que no evento criado por Nana Queiroz, idealizadora do movimento, muitas mulheres estavam passando por diversos tipos de ofensas. Atualmente, esse grupo conta com mais de 7 mil membros, entre homens e mulheres.

“O grupo é tudo pra mim, como se fosse uma segunda casa, sabe? As meninas são ótimas, é como se nós fossemos irmãs, uma apoia a outra e assim vai. É ótimo saber que por pior que tenha sido meu dia, terão pessoas para me apoiar e que vão entender a minha dor”, explica Talia, de 16 anos.

A adolescente entrou no grupo “Feminismo Brasil” há três semanas, está grávida de quinze. A mudança não tem ocorrido só com o seu corpo que espera um bebê, mas ideologicamente e politicamente. A estudante se aprofundou mais sobre o Feminismo em grupos sobre gravidez em que buscou amparo quando descobriu estar grávida do ex-namorado.. Com a gravidez, a adolescente carioca, diz não ter mais amigas, e aproveita o Facebook para conhecer pessoas que a apoiem.

A jovem mãe Taynah, uma das dez administradoras do grupo, gasta cerca de sete horas por dia na moderação. Durante a madrugada que ela imerge nesse universo enquanto o filho de dois anos dorme. Taynah entrou em contato com o Feminismo na faculdade de Artes Visuais, mas foi com a internet que passou a participar ativamente de debates.

“Antes eu era uma feminista solitária e sentia que só eu estava contra o mundo. Antes eu não tinha mulheres para discordarem de mim e mostrarem onde eu estava errando. E isso é muito saudável, me faz refletir sobre minhas opiniões e crenças após receber alguma crítica. E faço isso constantemente após conhecer o grupo”.

Ficou curiosa e quer participar de algum grupo Feminista? Separamos alguns para vocês.

Feminismo Brasil

Feminismo Brasil Aberto (Para homens e mulheres)

Eu Não Mereço Ser Estuprad@ [OFICIAL]

Feminismo para pessoas leigas

Feminismo em Pauta

Debates sobre Feminismo

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2 Respostas para “A nova onda do Feminismo no Facebook

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