Câncer de mama: o desafio do século XXI

Cientistas sugerem células que podem ser úteis na identificação de mulheres propensas a desenvolver a doença

Por Murilo Barbosa

 

(Foto: Shutterstock)

Seja branca ou morena, rica ou pobre, acadêmica ou analfabeta, daqui ou de lá: o câncer de mama é um mal que assombra mulheres pelo mundo todo. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), é o tipo de câncer que mais acomete o sexo feminino, criando 1,38 milhões de novos casos todos os anos. No Brasil, o Ministério da Saúde (MS) estima aproximadamente 53 mil diagnósticos da doença a cada 12 meses.

A dona de casa Iraci de Fátima Barneze, 52, foi acometida pelo câncer de mama em 2010 e venceu a doença com muito esforço. “Aos 48 anos percebi que tinha um nódulo no seio esquerdo. Procurei o médico, fiz todos os exames e o diagnóstico mostrou que era câncer de mama. Em menos de um ano passei por radioterapia, quimioterapia e fui submetida à cirurgia de quadrante. Foi uma batalha e tinha dias em que acordava muito depressiva, mas graças a Deus, hoje posso dizer que venci o câncer”, relata a dona de casa. Estudo divulgado no periódico científico Stem Cell Reports® suscita reflexões sobre a origem do câncer de mama. O trabalho, desenvolvido pelos cientistas David Gilley (Estados Unidos) e Connie Eaves (Canadá), sugere que uma classe de células precursoras da mama tem as extremidades dos cromossomos, que carregam o código DNA, muito curtas. Essa extremidade, denominada telômero, é incumbida de “proteger” o DNA. Conforme o artigo publicado na Stem Cell Reports®, se o telômero for curto demais a célula fica propensa a sofrer mutações que podem levar ao desenvolvimento do câncer. Em comunicado, os pesquisadores declararam que as células descobertas podem ser úteis para identificar mulheres com risco de desenvolver a doença.

Especialista em Genética, o biólogo Renato do Carmo Levorato avalia o trabalho feito pelos norte-americanos como de relevância para a ciência, mas considera prematuro referenciá-lo como solução na busca das causas do câncer. “Em termos práticos, de imediato, não podemos tomar este estudo para aplicação em pesquisas. Ele traz informações que colaboram ao entendimento das causas do câncer, mas ele (o câncer) se estabelece por diversos fatores. Podemos verificar casos de pacientes com telômeros longos, sem tendências às alterações genéticas nestas estruturas e que mesmo assim têm a doença”, explica Levorato.

 

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