Futebol e Chumbo

Entenda como a ditadura brasileira usou o futebol para fazer propaganda política do regime; outros países também já usaram o esporte com esse fim; saiba

Guilherme Henrique

Os brasileiros ainda lembram as alterações ocorridas na sociedade durante os 21 anos de Golpe Militar (1964-1985). O  futebol sofreu com as atitudes dos militares, bem como muitas outras esferas da sociedade.

O futebol foi usado durante a ditadura para afirmar a ideologia militar, aproximar os governantes do povo e integrar o país. Essa influência foi progressiva e começou em 1966, depois da eliminação do Brasil na Copa do Mundo. “A cada crise no meio esportivo, a ameaça de intervenção aumentava. Foi assim em 1968, após uma excursão onde a seleção conseguiu resultados medianos. E também no início de 1970, quando o técnico da seleção brasileira João Saldanha foi substituído por Zagalo”, afirma o professor de história Denaldo de Souza, do Instituto Federal do Rio de Janeira (IFRJ)

Depois da substituição de João Saldanha, houve um processo de “militarização” da seleção. Militares foram colocados na comissão técnica. O tricampeonato no México acabou servindo aos propósitos do regime. Para o historiador Gerson Fraga, da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), “…a militarização da seleção de 1970 é um reflexo da militarização da sociedade brasileira naquele período. Vivíamos sob os tacões dos militares. Normal esperar que a organização do selecionado seguisse o mesmo modelo”.

Nem mesmo o Campeonato Brasileiro escapou. O torneio, criado em 1971, também fez parte da propaganda do governo. “O Campeonato Brasileiro foi uma forma de promover a ideia de integração, de congraçamento nacional, dentro do projeto dos militares”, afirma Fraga. A inclusão de equipes teve fins políticos, inchando o campeonato. Daí surge o bordão: “onde o Arena (partido dos militares) vai mal, mais um time no nacional”.

Futebol como ferramenta de propaganda não é exclusividade do Brasil. O regime fascista na Itália, a ditadura na Argentina e no Chile são alguns exemplos. Até o Estádio Nacional foi usado para encarcerar presos políticos.

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