O preço da vida lá fora

Intercâmbios e mochilões: As vantagens turísticas em estudar fora do país

Por Vítor Peruch

Fazer intercâmbio está nos planos da maioria dos estudantes universitários, mas alguns fatores ainda impedem que muitos deles realizem essa vontade. Além da indecisão pelo destino, o baixo domínio de idioma estrangeiro, o término da faculdade, a saudade de casa e o dinheiro são fatores determinantes na hora dessa decisão.

Hoje existem diversos programas de bolsa e incentivo aos estudantes que desejam complementar sua graduação fora do país, um importante exemplo é o Ciências sem Fronteiras (CsF), criado em 2011. Mas antes disso, muitos dos que desejavam estudar fora precisavam custear integralmente seus gastos, sem a ajuda do governo.

Intercâmbio na Europa

Esse foi o caso do estudante de Engenharia Agrícola na UNICAMP Gabriel Meirelles. Na época em que ele decidiu fazer intercâmbio, em 2010, o programa CsF ainda não existia, e o número de bolsas disponibilizadas pela universidade era pequeno, portanto ele realizou a viagem com seu dinheiro e com a ajuda de seus pais.

Seu destino foi a cidade de Copenhagen na Dinamarca, uma das mais caras do mundo. Ele nos conta seus gastos com moradia eram extremamente altos, custando o equivalente a um pouco mais de mil reais sua parte em uma kit net, a qual ele dividia com um colega.

A alimentação também era mais cara, principalmente frutas e legumes, produtos que não são produzidos por lá, e sim exportados do sul da Europa, da América Latina ou Ásia. Em contrapartida, Gabriel não possuía gastos com transporte, pois comprou uma bicicleta por um preço muito acessível, e esse é um meio de locomoção muito utilizado no país. Gastos com saúde também foram zero, pois a Dinamarca oferecia planos gratuitos para todos.

Questionado sobre os valores das viagens pela Europa, o estudante de engenharia conta que mesmo estando em um país mais afastado da região central, os preços das passagens de avião ainda eram muito baixos, algumas custavam o equivalente a cem reais, enquanto uma viagem de Campinas a Curitiba pode custar até cinco vezes mais.

Intercâmbio na América Latina

Já o colega de sala de Gabriel, Eduardo Augusto, realizou seu intercâmbio para a Argentina. Sua viagem foi no segundo semestre de 2011, e ele aproveitou esse momento para conhecer outros lugares da América do Sul. Fez um “mochilão” entre Argentina, Bolívia e Peru, e ao voltar para o Brasil foi visitar cidades do Sul do país, pois já havia viajado também pelo Nordeste.

A partir disso ele chegou à conclusão de que viajar no exterior é realmente mais barato que viajar pelo Brasil. Por mais que o governo brasileiro incentive o turismo interno, com uma simples pesquisa é perceptível a diferença de gastos entre uma viagem em território nacional, e uma entre os demais países da América do Sul, por exemplo.

Eduardo conta que durante sua estadia na Bolívia ele realizou uma viagem de ônibus, com duração de seis horas, por apenas dez reais, algo impossível de acontecer no Brasil. Ele compara também os valores da alimentação, enquanto um almoço com suco e sobremesa na Argentina custava o equivalente a R$4,00, em nosso país não sairia por menos de R$15,00.

Estrangeiros no Brasil

Já Juan Carlos Carranza realizou o caminho contrário. O mexicano veio para o Brasil no segundo semestre de 2013 para realizar um programa de serviço social que auxilia pessoas com problemas com drogas, isso pelo sistema de intercâmbio da AIESEC.

Ele diz que Brasil e México possuem semelhanças não só culturais, mas também sociais, e que viver aqui é relativamente fácil por sermos um povo aberto e humilde, porém, existem alguns impasses, entretanto todos na esfera econômica.

Juan diz que encontrou problemas nas suas necessidades primárias, como alimentação e transporte, e complementa afirmando que para um estrangeiro que vem de um poder econômico mais baixo, viver no Brasil é bastante complicado.

Fica claro que realizar um intercâmbio com os auxílios oferecidos pelo governo torna a viagem mais fácil, pois evita futuros problemas com falta de dinheiro em países desconhecidos. Mas quando se trata de viagens turísticas, o destino fora do Brasil parece ser economicamente mais viável.

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