The Books on the mesa

Como a falta de fluência em inglês prejudica o processo de internacionalização das universidades brasileiras.

Por Murilo Firmino

No início deste ano, mais de nove mil bolsistas do programa Ciência sem Fronteiras (CsF) foram realocados e muitos enfrentaram dificuldade por não ter fluência no idioma do país de destino. No episódio mais grave, pelo menos 110 bolsistas que estavam no Canadá e Austrália foram enviados de volta ao Brasil, por não terem condições de acompanhar as aulas devido a dificuldades com o inglês. Esses estudantes estavam no exterior desde o final de setembro de 2013 e já custaram mais de 2,6 milhões de reais aos cofres públicos — cada um deles recebeu 12.000 dólares, além de passagens aéreas e seguro saúde. Esse investimento não retornará ao país em forma de capacitação profissional e acadêmica, que seria o objetivo do programa.

“A falta do inglês não prejudica só a internacionalização das universidades, mas sim o desenvolvimento de todo o país – atrasa pesquisas acadêmicas e torna relações e negociações comerciais quase impossíveis” afirma o linguista Waldenor Barros Moraes Filho, professor da Universidade Federal de Uberlândia e integrante do núcleo gestor do programa federal Inglês sem Fronteiras. Segundo um estudo do grupo, apenas 8% das classes A e B falam inglês fluentemente. Em outra pesquisa em que se analisou o nível de fluência em inglês, entre 78 países, o Brasil ficou na 70ª posição.

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Cada vez mais países exigem testes de proficiência para aceitar alunos estrangeiros. Você está preparado?

Não falta estudo, e sim qualidade

Segundo a professora Aline Alvarez, pós-graduada em ensino da língua inglesa, e coordenadora de uma das maiores escolas de inglês de Bauru, “o brasileiro despertou muito tarde para a importância de se falar inglês. De 15 anos para cá, quando houve um grande aumento na procura por escolas particulares, o nível melhorou, porém a qualidade do ensino em escolas regulares continua péssima”. A professora lembra que na maioria das escolas brasileiras, se destina pouquíssimo tempo para o ensino da língua, além de usar métodos atrasados e desestimulantes, que acaba tirando o interesse dos alunos.

Testes de proficiência

Para evitar problemas e constrangimentos, alguns países do programa exigem alguns testes de proficiência como o TOEFL ( IBT OU ITP ) e o IELTS. Perguntada sobre o grau de dificuldade destas provas, Aline explica: “Para os alunos que pretendem ir para universidades que exijam o TOEFL IBT ou o IELTS, aconselhamos terem um nível avançado, já que essa prova testa as 4 principais habilidades do aluno com o inglês ( fala, escrita, compreensão e leitura)”. Já para o TOEFL ITP, os universitários que tem a língua mais “travada” podem ficar mais sossegados, por não haver o teste da fala no exame. Porém a professora alerta, mesmo para os mais preparados, um curso preparatório e algumas horas diárias de estudo nunca são de mais.

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