Campanhas “tomam” as redes sociais

 Professora Doutora Mirna Tonus diz que movimento sensibiliza os usuários.

Por Renata Marconi

Amigas se unem para incentivar a doação de Medula Óssea.

Amigas se unem para incentivar a doação de Medula Óssea.

As redes sociais permitem que seus usuários façam muitos contatos, conheçam pessoas, se atualizem e, mais recentemente, têm possibilitado que ações sociais atinjam mais pessoas. As campanhas na internet têm chamado a atenção de usuários das redes, que cada vez mais compartilham e ajudam a arrecadar dinheiro e outras necessidades. Um exemplo são as amigas do Paraná que se uniram para pedir que mais pessoas fossem doadores de medula óssea, para facilitar encontrar um doador compatível para amiga que tem leucemia.

Essas manifestações tem se tornado comum nas redes sociais. A professora doutora Mirna Tonus, especialista em comunicação, tecnologia, jornalismo, transmídia, mídias sociais e educação, acredita que as pessoas se sensibilizam com as histórias e tentam ajudar de alguma forma. “O que tenho percebido é que as pessoas se sentem sensibilizadas por algumas causas e acabam aderindo, seja por meio de compartilhamento, seja engajando-se de maneira mais contundente, como é o caso de doações e ações pontuais”.

Muitas campanhas ficam famosas e extrapolam os limites das redes sociais como o caso da menina Sofia, que depois de muita luta, conseguiu o dinheiro necessário para fazer a cirurgia nos Estados Unidos. Os pais precisavam arrecadar R$ 2 milhões para fazer todo o procedimento e se manter no país por um tempo. Os usuários se comoveram e além de ajudar, compartilharam e tornaram a história da menina conhecida. Ela conseguiu o dinheiro e se recupera nos EUA.

Pais de Sofia conseguiram arrecadar os R$ 2 milhões para realizar o tratamento da filha.

Pais de Sofia conseguiram arrecadar os R$ 2 milhões para realizar o tratamento da filha.

Outra história é a do menino João, que tem câncer de fígado e recebeu uma doação do órgão de uma desconhecida. A luta pela sobrevivência chamou a atenção de um casal no interior de São Paulo que acabou fazendo uma campanha para ajudar a família do menino, que não tem condições financeiras de se manter durante o tratamento. Com a internet, a campanha tomou proporções que o idealizador Vicente Evaristo Damante Netto não esperava. “Achava que não ia atingir muita gente, mas mesmo assim não podia ficar parado.”

Mirna acredita que uma das consequências deste fato seja o crescimento das redes. “Imagine milhares de pessoas compartilhando e sensibilizando outros milhares conectados a eles. Rapidamente, as redes são tomadas pelas campanhas. Quando envolvem celebridades a dimensão é ainda maior, já que os fãs se encarregam de espalhar”, explica.

Tanto Sofia, quanto João tiveram ajuda das redes sociais para realizar o tratamento médico. Mas além das campanhas de arrecadação de dinheiro, também há as campanhas para conscientização de problemas e de esclarecimentos contra o preconceito, como a da postagem de pessoas comendo banana. A campanha era contra o preconceito racial, relacionando as fotos ao incidente com o jogador Daniel Alves, quando um torcedor jogou uma banana contra ele em um jogo e ele respondeu a provocação comendo a fruta.

Neymar iniciou a campanha em seu Instagram.

Neymar iniciou a campanha em seu Instagram.

A professora relata ainda que mesmo que o acesso não seja a 100% da população, é maior que a divulgação sem as redes sociais. “As redes possibilitam chegar ao máximo de habitantes possível, desde que as pessoas estejam conectadas a elas. Hoje, ainda há quem não se conecte, afinal, o acesso não é para 100% da população, mas as pessoas estão mais conectadas entre si. Haja vista os grupos em redes como Whatsapp, por exemplo. Há um autor, David de Ugarte, ciberativista, que escreveu sobre ‘o poder das redes’ ao abordar os flashmobs na Europa na década passada e que mostra as possibilidades de as pessoas partirem para a ação após articulação em rede. Penso que as campanhas sociais se valem desse poder.”

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