A nova Cruzada

Líderes de bancadas evangélicas e pró direitos humanos travam batalha sobre o papel da religião na política

Por Larissa Roncon

Um dos assuntos mais discutidos no último período eleitoral foi o limite a ser estabelecido entre a interferência da religião em assuntos do Estado. Segundo a Constituição de 1988, no Artigo 19 inciso primeiro, é vedado à União manter ou estabelecer com qualquer religião algum tipo de dependência, porém em todas as Câmaras nacionais há grupos políticos sob essa bandeira.

De um lado, há quem defenda a liberdade de expressão da população religiosa e a necessidade dela de ser representada em suas particularidades. De outro, vários políticos dizem que alguns avanços sociais são engessados pelas bancadas cristãs, baseadas apenas em critérios fundamentais de sua religião, querendo-os aplicar a todos.

Um  caso com grande notoriedade foi  o do Kit Anti-homofobia, que seria distribuído nas redes de ensino pública de todo o país, em 2011. Encarada como apologia, a bancada evangélica da Câmara dos Deputados Federais barrou a iniciativa por acreditar que seu conteúdo era forte demais e isso poderia causar confusão na cabeça dos jovens.

Debate

A atuação contra a homofobia e os embates com Marco Feliciano e Silas Malafaia fizeram de Jean Wyllys (foto) o maior representante do movimento LGBT no Congresso Nacional

Considerado o principal representante da causa Gay na Câmara dos Deputados, Jean Wyllys (PSOL – RJ),  em reportagem à revista Rolling Stone, explica que não é por que determinado grupo não aceita uma orientação, que o outro deve ser privado de tê-la, desde que isso não cause ônus a ninguém. “Uma vez que o Brasil é um Estado laico, não pode ser refém dos dogmas de qualquer religião. Mas isso também não obriga um religioso a avaliar a homossexualidade como certa ou errada. Não desejo que as pessoas abandonem suas crenças, mas que respeitem indivíduos com orientações diferentes. O direito de ser livre associa-se com o de se implicar em deixar de fora quem a gente não quer”, destaca o deputado.

O deputado Marco Feliciano (foto) foi protagonista de polêmicas com ativistas LGBT na Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados

O ex presidente da Comissão dos Direitos Humanos e deputado Marcos Feliciano (PSC-SP), causador de diversas polêmicas ao se manifestar contra a relação homoafetiva, apesar de se dizer disposto a discutir o assunto a partir do próximo ano, se manteve relutante em entrevista ao G1 . “Sou contra qualquer tipo de pessoa que tenha preconceito com outro por causa da cor da sua pele, da sua religião, da sua orientação sexual, mas existem mais de 900 projetos que ferem a liberdade de expressão e a família tradicional. [Os projetos] tentam rotular o cristianismo como se fosse uma praga ou uma maldição. Precisamos de uma estratégia para ver como vai ser a criminalização da homofobia. Esse crime contra a homofobia é tão genérico que você não consegue entender o que é homofobia”, comenta o deputado.

Para o diretor do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP), Antônio Augusto Queiroz, independente de quem tem mais razão, temas polêmicos e considerados “liberais” não terão vez a partir do próximo mês de fevereiro. “O novo Congresso é, seguramente, o mais conservador do período pós-1964. Posso afirmar com segurança que houve retrocesso em relação a essas pautas [aborto, casamento homoafetivo e legalização da maconha]. Se no atual Congresso houve dificuldade para que elas prosperassem, no próximo isso será muito mais ampliado. Houve uma redução de quem defendia essa pauta no Parlamento e praticamente dobrou [o número de] quem é contra”, analisa Queiroz.

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