Conexão Brasil

Pesquisa revela desaceleração na expansão da Internet no Brasil em 2013

Por Deivide Sartori

 

A proporção de internautas no Brasil alcançou a marca de 49,4% da população em 2013, de acordo com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) divulgados em setembro pelo Instituto Brasileiro de Geografia de Estatísticas (IBGE). O aumento dos usuários de Internet em relação ao ano passado foi de 0,6%. O número representa uma desaceleração no ritmo de expansão da internet no Brasil – de 2011 para 2012, o aumento tinha sido de 6,9%.

Na análise dos dados por faixa etária, os maiores índices de uso da Internet concentram-se entre os jovens. Os grupos de 15 a 17 anos e de 18 e 19 anos registram, respectivamente, 75,7% e 73,8% das pessoas com acesso à Internet no período de referência da pesquisa. Por outro lado, apenas 20,9% das pessoas com mais de 50 anos são internautas.

Famoso entre os estudantes da UNESP de Bauru, o "Tio Guerreiro" é mais uma amostra de que os "menos jovens" também estão conectados

Famoso entre os estudantes da UNESP de Bauru, o “Tio Guerreiro” é mais uma amostra de que os “menos jovens” também estão conectados

Nesse grupo está o comerciante Antonio Guerreiro Filho, 66 anos, conhecido como Tio Guerreiro. Guerreiro é internauta há 5 anos e conta que olhava seus “filhos fazendo pesquisas de preços e produtos na Internet”, achou interessante e também quis aprender. Ele relata, por exemplo, que comprou por um site o painel solar instalado sobre seu trailer de lanches, localizado em frente à Unesp Bauru.

O comerciante afirma acessar diariamente a Internet. “Mesmo chegando em casa, depois do trabalho, por volta da meia-noite, às vezes ainda acabo entrando para dar uma olhada”. Guerreiro diz manter contato com os amigos de pescaria através de e-mails, além de ter um perfil em uma rede social.

Crédito - Thinkstock 

 

Fator econômico

 O UniversiTag# conversou com o economista Gilson Schwartz para entender a contribuição dos fatores econômicos no aumento do número de internautas no Brasil. Confira:

 De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios (Pnad), do IBGE, 49,4% dos brasileiros com mais de 10 anos tinham acesso à Internet em 2013. Em termos gerais, como você avalia esse resultado?

É mais um indicador da inclusão social recente, pós-estabilização de preços, especialmente a partir do governo Lula quando ocorre expansão acelerada do crédito ao consumo e estímulos à inclusão social via bolsa-família e outros expedientes. O acesso à Internet reflete diretamente o aumento no consumo de bens de consumo duráveis, a expansão da moradia popular com financiamento subsidiado aos mutuários para mobília e eletrodomésticos assim como uma expansão no acesso ao ensino, em especial ao nível universitário com programas do tipo Prouni. Além desses fatores, a própria tecnologia atingiu uma escala em nível global que permitiu a redução nos custos de equipamentos. A ampliação da infraestrutura de oferta de telefonia móvel, banda larga e Internet sem fio em número crescente de localidades reforça a tendência. Ou seja, viveu-se nos últimos dez anos um ciclo virtuoso de aumento simultâneo da oferta (via privatização da infraestrutura de telecomunicações) e da demanda (via estatização do crédito ao consumo de bens duráveis e ampliação de programas públicos de habitação popular).

 Quais são suas perspectivas para a expansão da quantidade de internautas no Brasil?

Creio que já desfrutamos do bônus da estabilização de preços, aumento do crédito e subsídio estatal ao consumo e à inclusão social. Não veremos taxas tão altas de inclusão nos próximos anos. Da quantidade é preciso passar à qualidade. De outro lado, sem subsídios estatais e sem a perspectiva de ampliação tão intensa do consumo de massa, as empresas privadas não investirão tanto para dominar os mercados emergentes. Num ambiente de expansão econômica moderada e inclusão social menos acelerada, os desafios de melhoria na qualidade do acesso e na capacidade criativa dos empreendedores serão muito grandes, num contexto em que os novos consumidores digitais têm sido capturados pelas empresas estrangeiras que já operam oligopólios em escala global, em especial nas telecomunicações e novas mídias.

 

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