Pouco discutida, homofobia é realidade no futebol

Atitudes isoladas tentam combater o preconceito contra gays no meio esportivo

Por Guilherme Henrique

O racismo é amplamente debatido no futebol e punições pesadas são dadas a quem o pratica. Mas outro tipo de discriminação igualmente reprovável é ignorada e, muitas vezes, tolerada: a homofobia ou aversão a homossexuais e sexualidades divergentes do padrão heteronormativo.

Por que parece haver essa tolerância com a homofobia no meio esportivo? O pesquisador  e pós doutorado vinculado à área de antropologia social da Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR), Wagner Xavier Camargo, aponta: “aparentemente o ódio a presença dos homossexuais e congenêres ou outras sexualidades é mais tolerada do que o racismo porque na verdade ela é invisibilisidada”.

Apesar disso, alguma atitudes tentam colocar as claras a homofobia no futebol. O Arsenal, da Inglaterra, distribui cadarços com as cores do arco-íris e produz vídeos com seus jogadores para conscientizar os torcedores. Aqui no Brasil, o Corinthians foi o pioneiro a divulgar um manifesto anti-homofobia.

Campanha do Arsenal #RainbowLaces, que visa apoiar jogadores homossexuais e combate a homofobia no futebol.

Para Camargo “essa atitude do Corinthians é super louvável. Foi um manifesto simples, que todo mundo entendia, nenhum texto elaborado, foi super claro. Eu acho que funciona sim, se mais clubes apoiarem. O Bom Senso F.C poderia tocar nesse assunto, por exemplo”.

Punições esportivas à clubes envolvidos em ofensas homofóbicas ainda são raras. Bayern de Munique, da Alemanha, teve um setor de seu estádio interditado devido a um cartaz com insultos direcionado a torcida do Arsenal, durante a última edição da Liga dos Campeões da Europa.

O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) brasileiro prometeu analisar casos de homofobia em partidas do Brasileiro, mas nada foi feito. O pesquisador não acredita na eficácia desse tipo de punição: “não vai funcionar, só vai instaurar o medo. E isso não é legal. Você não ensina ninguém pelo medo”.

Pequeno grupos tentam driblar a homofobia no futebol, apesar de todo o preconceito, a Galo Queer, a QUUERlorado e a Bambi Tricolor, entre outras, surgiram com o intuito de romper o sexismo existente no futebol. Lembrando  a Coligay, primeira torcida organizada gay do Brasil nascida na década de 1970, que comparecia aos jogos do Grêmio.

Na Inglaterra, o Arsenal reserva um espaço em seu estádio para a faixa da Gay Gooners, umas das 5 torcidas formadas por homossexuais do clube de Londres.

Torcida Coligay, que em plena ditadura, ousou mostrar que os homossexuais tem espaço no futebol.

Torcida Coligay, que em plena ditadura, mostrou que os homossexuais tem espaço no futebol.

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