Não é só o Brasil que tem ENEM

Modelos nacionais de seleção para o Ensino Superior também são utilizados por Estados Unidos e China

Por Vinicius Martins

No Brasil, cerca de 9,5 milhões de pessoas se inscreveram no Exame Nacional do Ensino Médio, ENEM, em 2014. Principal porta de entrada para ensino superior no país, as inscrições bateram recorde. O exame permite o ingresso no Programa Universidade para Todos, Prouni, e nas concorridas universidades federais.

Em dois dias de provas os candidatos resolvem quatro provas de 45 questões multipla escolha. Cada uma aborda uma área de conhecimento entre Ciências Humanos, Linguagens, Ciências da Natureza e Matemática. Também é necessária a produção de uma redação dissertativa. Neste ano, o exame será realizado nos dias oito e nove de novembro em todo o país.

O modelo de exames nacionais para selecionar futuros estudantes universitários não é exclusividade brasileira. Nos Estados Unidos o estudante do colegial tem duas opções principais de ingresso: o Scholastic Assessment Test, SAT, e o American College Testing, ACT.

O primeiro é o mais adotado pelas universidades da Costa Oeste e Leste. O segundo é o exame principal das universidades nos estados centrais do país. Ambos também são válidos para o ingresso em universidades no Canadá, Austrália e Reino Unido.

A estrutura desses exames segue padrões semelhantes ao ENEM. O SAT é dividido em três seções. Cada uma delas tem uma escala de pontuação de 200 a 800. A primeira seção, de Leitura Crítica, requer do candidato compreensão e domínio da língua inglesa na interpretação de conteúdos.

A segunda seção é a de Matemática. Aqui, o estudante deve resolver problemas matemáticos baseados nos currículos do Ensino Médio. Por fim, a redação é a última seção do exame. Questões de múltipla escolha devem ser resolvidas e uma dissertação escrita.

O ACT é uma prova de múltipla escolha com questões divididas entre as áreas de matemática, inglês, leitura e raciocínio científico. Existe a possibilidade de algumas universidades exigirem que se faça uma redação. Cada área é avaliada dentro de uma escala que vai de um a trinta e seis pontos.

Os testes, tanto o SAT quanto o ACT, não são o único critério de avaliação exigido pelas universidades norte-americanas. É comum os candidatos serem submetidos à avaliações do currículo escolar (tanto notas quanto atividades extra-curriculares) e entrevistas.

Do outro lado do mundo

Na China o sistema de seleção tem semelhanças com o ENEM. A prova nacional do país chama-se Gaokao. Estima-se que a seleção universitária exista no país há mais de dois mil anos. Após a revolução cultural do Partido Comunista em 1977, a seleção passou por alterações. O atual modelo, conhecido como novo Gaokao, existe desde 1990.

A seleção é dividida em cinco provas aplicadas em três dias: matemática, chinês, inglês, uma prova transdisciplinar e outra prova sobre conhecimento literário ou científico. Os estudantes com habilidades específicas, como desenho ou atuação, por exemplo, e atividades extra-curriculares levam vantagens na seleção.

O universitário Zhao Yang passou pelo Gaokao. Ele conta que sua rotina de estudos na escola ia das seis da manhã às dez da noite: “às seis horas eu acordava, depois tinha apenas 25 minutos para o café da manhã. Das sete às onze havia estudo. Depois, um pequeno espaço para almoço e descanso. Mais estudo entre uma e seis da tarde. Logo após, mais aulas. Em seguida, outro descanso, e depois mais aulas das sete às 10 da noite”.

Yang relata que essa realidade atinge todos os estudantes que desejam prestar o Gaokao. “Todos os estudantes que querem entrar na Universidade devem se esforçar muito, focar apenas nos estudos. Nada de entretenimento, nada de celular, nada de música. Especialmente no último ano. Devemos apenas estudar, estudar e estudar”, lembra.

A colegial chinesa Kelly Ye, tem 16 anos e se prepara para prestar o Gaokao em dois anos. A jovem planeja cursar economia caso consiga passar pelo exame. Para ela, a prova é um momento crucial para definir o futuro da vida de um estudante.

“Na China, ser poderoso ou rico é a ideia comum de ‘sucesso’. Todos estão perseguindo isso. Uma vez que um estudante consiga uma boa nota, não importa se é rico ou pobre, ele pode chegar a uma boa universidade. Caso consiga se graduar, é mais fácil conseguir um emprego com altos salários”, aponta.

A pressão vivida pelos concorrentes é enorme.  O que fica evidente no estudo de 2007 da Universidade de Pequim, mostrando que entre 140 mil estudantes analisados, 20% cogitaram suicídio.

O Gaokao é conhecido como o momento mais importante na vida dos jovens chineses.

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