UNESP: Internacionalização como prioridade

Reitoria direciona a universidade para além das fronteiras, mas há questionamentos sobre os investimentos na área.

Por Heitor Carvalho Jorge

Desde 2009, com o estabelecimento do Plano de Desenvolvimento Institucional, o PDI, a reitoria da Universidade Estadual Paulista, UNESP, tem dado grande enfoque ao processo de internacionalização da instituição.

A ação pretende melhorar a posição da universidade em rankings universitários mundiais, que trabalham com o critério de inserção internacional da universidade para avaliá-­la.

A internacionalização de uma instituição como a Unesp pode ser medida através do número e qualidade de programas de intercâmbio, convênios com instituições estrangeiras e publicação de pesquisas em periódicos internacionais.

De acordo com dados da Assessoria de Relações Externas, Arex, atualmente a Unesp mantém 78 convênios de intercâmbio com 25 países, além de promover programas específicos com governos e fundações com o objetivo de fornecer formação superior completa em todas as áreas do conhecimento para estudantes da África, da América Latina e do Caribe. Um exemplo desse tipo de projeto é o Programa Estudante Convênio de Graduação, PEC­G, estabelecido em conjunto com o Ministério da Educação e que recebe alunos vindos principalmente da África.

Segundo a assessora-­chefe da Arex, Elisabeth Criscuolo Urbinati, a vinda de estrangeiros para a instituição não significa menor disponibilidade vagas para brasileiros. No entanto, ainda há pouca divulgação das instituições nacionais no exterior, enquanto as universidades internacionais atraem estudantes brasileiros com mais facilidade. “As poucas ações [de universidade brasileiras] são feitas pelas próprias instituições, como ocorreu recentemente com a UNESP, quando visitei dez universidades em três países.” A Faculdade de Engenharia, em Bauru, por exemplo, recepciona três alunos da Universidade de Regensburg, Alemanha, para estágio de três meses, enquanto a Faculdade de Ciências, no mesmo câmpus, recebe três estudantes da Faculdade de Technikum Kaernten, da Áustria, para uma temporada de dez meses no curso de Ciências da Computação.

Em 2013, a Unesp também criou um programa permanente em que 50 disciplinas da pós ­graduação serão ministradas no idioma inglês para atrair estrangeiros. Apesar de existirem universidades brasileiras oferecendo disciplinas em inglês, iniciativas como essas são isoladas. De acordo com o professor José Celso Freire Júnior, chefe da Assessoria de Relações Externas da Unesp, o foco principal desse programa é nas áreas de ciências agrárias, energias alternativas, odontologia e literatura. De acordo com o professor, a principal meta do programa é impulsionar o processo de internacionalização da universidade, além de suprir a demanda de estrangeiros por vagas em faculdades brasileiras e de criar “um ambiente com culturas diferentes e mais internacionalizado”.

Entretanto, investimentos nesse área são questionados por diversos grupos dentro e fora da universidade, que afirmam que o dinheiro público deveria ser priorizado para melhorar a estrutura física e intelectual das instituições de ensino superior brasileiras antes de partir para parcerias globais.

 

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