Do fundo do nosso quintal

Cervejarias artesanais ganham cada vez mais espaço no Brasil, inclusive em Bauru

Por Tiago Pavini

Para quem gosta de uma boa cerveja, o acesso a elas não se restringe apenas às grandes indústrias e distribuidoras. As cervejas artesanais estão ganhando espaço no cenário nacional. Segundo o Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja, as vendas das cervejas artesanais aumentaram 79% entre os anos de 2008 a 2011, e o crescimento ainda é constante.

Existem dois tipos de cervejeiros artesanais. O primeiro é o cervejeiro caseiro, que produz sua cerveja em pequena escala para consumo próprio e não podem vender o produto legalmente. O outro tipo são os microcervejeiros, que fabricam e vendem suas cervejas.

Nos últimos anos, o número de microcervejarias profissionais aumentou de forma considerável, atingindo cerca de 250 estabelecimentos registrados em 2014, segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Atualmente, o Brasil ocupa o terceiro lugar de maior produtor mundial de cerveja. Cada brasileiro consome em média 65 litros da bebida por ano. A ACERVA (Associação dos Cervejeiros Artesanais) está presente hoje em nove estados brasileiros, sendo que todos os Estados das regiões Sul e Sudeste são integrantes da associação, além de Goiás e da Bahia.

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Cervejeiro Antônio Tonon em seu ofício

João Sperb é diretor para assuntos técnicos na ACERVA de Santa Catarina e diz não haver muita diferença entre a cerveja artesanal e a industrial no momento da confecção. “Na sua essência, são muito parecidas em relação ao processo de produção. Porém, os objetivos de cada uma são diferentes”.

Enquanto a cerveja industrial visa principalmente o lucro e o alto giro de produtos, a cerveja artesanal tem como principal objetivo a qualidade do produto. “Para obter os valores de mercado, as cervejas industriais devem utilizar matéria-prima de baixa qualidade, prejudicando características essenciais, principalmente o sabor”, diz João. Segundo ele, as cervejas artesanais possuem um toque humano, um ajuste que não é possível com uma produção automatizada.

Mas o termo “artesanais”, utilizado para a designação das cervejas, não é reconhecido. Bernardo Couto, jornalista, cervejeiro caseiro e também fundador do site http://www.hominilupulo.com.br/ (um espaço de discussão sobre a cultura da cerveja) faz um alerta: “É importante registrar que este termo ‘artesanal’ não é regulamentado no Brasil no mercado de cervejas. Então, no Ministério da Agricultura só há uma categoria de cervejaria, que enquadra da maior à menor do país.”

Bernardo ainda fala sobre a importância de fazer cerveja em casa e propagar essa cultura. “Hoje a cerveja é vista como um produto industrializado e padronizado, e muita gente se espanta quando ouve que é possível fazer cerveja em casa. Mas o real espanto deveria ser com a produção em escala industrial”.

A cervejaria artesanal considerada a mais antiga do país está localizada em Santa Catarina, na cidade de Canoinhas. A Cervejaria Canoinhense foi fundada em 1908, e está sob os cuidados da família Loeffler há mais de cinco gerações. A cerveja é produzida atualmente do mesmo desde que foi fundada, dando um sabor especial aos produtos feitos na cervejaria.

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Cervejaria Canoinhense, considerada a cervejaria artesanal mais antiga do Brasil.

Direto de Bauru

Antonio Reginaldo Tonon é dono da cervejaria artesanal Tonon Beer, na cidade de Bauru. O interesse pelo ramo começou há alguns anos, quando Antonio degustou uma cerveja produzida por um amigo. A produção teve início após um curso em São Paulo ministrado por um famoso cervejeiro artesanal. “Podemos considerar que foi aí o nascimento da Tonon Beer, há 6 anos”, diz.

A cada leva são produzidos cerca de 55 litros e o período para que a cerveja esteja pronta é de aproximados 30 dias. Mas a produção não é comercial, é um hobby. “Não me preocupo em produzir regularmente, quando acaba alguma faço outra. Não tenho funcionários, não vendo cerveja. Fazer cerveja é um misto de ciência e arte. Tenho muitos amigos que me ajudam tanto financeiramente como com a mão de obra”, comenta.

A Tonon Beer não possui um estilo específico de fabricação. Segundo Antonio, a cada receita é feito algo diferente. “Já produzi 119 receitas”, fala. O dia da fabricação é sempre uma festa. “Degustamos as anteriores, ou assistimos um jogo de futebol, ou comemoramos o aniversário de alguém. Ou como todo ano, comemoramos o dia de Saint Patrick, o padroeiro irlandês da cerveja”, explica Antonio.

Documentário homenageia a cerveja

Um documentário produzido pelo canal americano Discovery Channel exalta a história da cerveja. O próprio nome já chama a atenção: “Como a cerveja salvou o mundo”. Vale a pena conferir e refletir sobre o documentário.

Como a cerveja salvou o mundo from Bruno Pereira Cardoso on Vimeo.

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