Liberdade de expressão X extremismo religioso

Um muçulmano, uma francesa e um teólogo brasileiro falam sobre ataque ao Charlie Hebdo

Isabela Ribeiro

Um ataque terrorista ao jornal satírico francês Charlie Hebdo deixou doze pessoas mortas e cinco feridas em Paris, no dia 7 de janeiro de 2015. Entre eles estavam cinco renomados cartunistas. O atentado trouxe à tona discussões sobre liberdade de expressão e extremos religiosos.

Foto Reprodução

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O semanário passou a receber ameaças constantes desde 2006, quando publicou uma série de caricaturas envolvendo o profeta Maomé. Este fato trouxe revolta ao mundo islâmico, pois desenhar o profeta é considerado uma blasfêmia pelos fiéis. Após o ataque, milhares de pessoas manifestaram apoio ao Charlie Hebdo através de postagens nas redes sociais e manifestações nas ruas. No mundo todo foi possível ver pessoas carregando os dizeres “Je suis Charlie” (Eu sou Charlie). Houve também quem condenasse o ataque e criticasse o humor sem limites do jornal por ofender uma crença sagrada para muitos.

O Muçulmano

Aziz Makaveli, de 26 anos, é muçulmano nascido na Arábia Saudita, mas vive hoje em Chicago, nos Estados Unidos. Apesar de ser de religião islâmica, Aziz condenou o ataque ao Charlie Hebdo. “Muçulmanos odeiam o fato desses assassinatos serem relacionados ao Islã. Islamismo não é terrorismo”, afirmou Aziz. Ele também criticou o humor sem limites do semanário. “Os pontos de vista extremos do jornal eram odiados por muitas pessoas, não apenas muçulmanos. Liberdade de expressão tem limites. Nós não devemos provocar as pessoas”, disse.

A Francesa

A parisiense ateia, Tifaine Hechard, também condenou o ataque. Mas, ao contrário de Aziz, não vê limites para o humor. “Como eu sou ateia, não posso entender o sentimento deles. O humor não deve ter limites, mas não deve promover o discurso de ódio”, afirmou.

Para Tifaine, o humor do semanário não é racista, mas é uma poderosa forma de expressão. “Foram mortos por suas ideias e se tornaram símbolo da liberdade. Prova do fracasso total dos terroristas”.

O Teólogo

De acordo com o teólogo brasileiro Otávio Bardusi, o extremismo é a única arma conhecida por muitos para manter valores importantes. “Apesar de suas ideias supostamente medievais, o fundamentalismo religioso é uma reação à perda de valores na modernidade. Os religiosos querem valores fixos, que possam lutar contra essa pós-modernidade, e, de modo exagerado, eles estão tentando colocar Deus no seu lugar”, explicou.

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