O começo da virada: questionamentos a uma Academia branca

John Legend e Common roubaram a cena com um discurso altamente político ao ganhar o Oscar de Melhor Canção Original

Por Melanie Castro

“Selma: Uma Luta pela Igualdade” retrata a marcha de Martin Luther King Jr. pelo direito ao voto dos negros, na década de 1960, nos Estados Unidos. Mas, assim como a história do movimento negro não é suficientemente retratada em Hollywood, isso se reflete na premiação.

Nos 86 anos da cerimônia, apenas 16 pessoas negras levaram a estatueta para casa. Destas, apenas seis nos prêmios mais importantes: Melhor Ator, Melhor Atriz e Melhor Filme.

Para Joeb Andrade, da página Desenrolando, a Academia parece temer papéis e filmes que mostrem a força do ativismo negro. “Penso que, para ganhar um Oscar ou até mesmo ser indicado, sendo uma pessoa negra, você precisa fazer um personagem ou filme que reforce estereótipos”, afirmou.

Ele destacou a falta de indicações para David Ayelowo e Aya DuVernay, do já citado “Selma”. “O filme também foi indicado e não levou; oras, tratava-se de um filme que fala de um dos maiores líderes negros dos EUA, ao contrário de ‘12 a nos de Escravidão’ – que levou o Oscar de 2014 e fala de uma parte triste da história negra”, avaliou.

Aya DuVernay, que seria a primeira mulher negra a ser indicada na categoria Melhor Diretor, e os verdadeiros indicados. Consegue ver um padrão? (Foto: Reuters/Reprodução para fins acadêmicos)

Aya DuVernay, que seria a primeira mulher negra a ser indicada na categoria Melhor Diretor, e os verdadeiros indicados. Consegue ver um padrão? (Foto: Reuters/Reprodução para fins acadêmicos)

Em todas as oportunidades, os ganhadores trouxeram pautas raciais em seus discursos. Este ano, não foi diferente. Ao levarem o prêmio de Melhor Canção Original por “Glory”, também de “Selma”, John Legend e Common foram mais longe: “Há mais homens negros encarcerados hoje do que haviam escravos em 1850. Quando as pessoas marcharem com nossa música, queremos que saibam que vemos vocês, amamos vocês, estamos com vocês. Continuem marchando”, disse John.

E, através destas problematizações, Hollywood ainda verá muito mais da história da luta negra. “Debates nunca são demais. O racismo institucional faz com que muitas opressões racistas se naturalizem, mas conforme o tempo as pessoas vão se desconstruindo, vão se politizando a respeito do assunto. E é por isso que eu acredito na virada do jogo. Assim como viramos muitas coisas, o fato de eu pessoa negra estar problematizando isso para você é porque algo já virou”, concluiu Joeb.

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