Economia Criativa ocupa as universidades

Saiba como a universidade influencia a Economia Criativa de uma região

Michele Matos 

A economia criativa é um termo bastante utilizado nos últimos anos. Trata-se da capacidade de gerar renda a partir de uma ideia original, dentro do campo das artes, música, dança ou mundo digital, por exemplo.

Foi na década de 1990 que o termo começou a entrar nas pautas das universidades e dos governos. O primeiro a criar uma secretaria específica para estudar esse fenômeno foi o Reino Unido e, recentemente, o Brasil criou a Secretaria Nacional da Economia Criativa.

“Ela leva esse nome ‘criativo’ porque parte do pressuposto de que a criatividade é a matéria-prima inerente e inesgotável do ser humano, então todo humano é criativo e por meio dessa criatividade que ele vai desenvolver algum produto ou projeto”, diz Maria Eduarda Gomes, estudante e integrante do NeoCriativa – grupo de estudos sobre Economia Criativa da Universidade Estadual Paulista, campus de Bauru.

Esse tipo de economia baseia-se unicamente no uso da imaginação e talento, e simboliza a união de uma atividade cultural com a economia, resultando no emprego de muitas pessoas nos mais diversos lugares do país.

Mas, que papel tem a universidade quando o assunto é economia criativa?

Grupo da Unesp estuda o conceito de economia criativa (Foto: Neocriativa)

Grupo da Unesp estuda o conceito de economia criativa (Foto: Neocriativa)

A tal da economia

Basta uma ideia inovadora para que um determinado produto ou serviço seja apresentado com cara nova para o mercado. Desde pequenos negócios feitos em comunidades minúsculas, até mesmo grandes apresentações de bandas famosas, por exemplo, podem ser considerados economia criativa.

A grande questão existente, entretanto, é a partir de qual ângulo desse meio de economia criativa as pesquisas acadêmicas darão importância. Daremos como exemplo o mundo da moda, setor bastante competitivo e em alta.

“A moda, por exemplo, é um setor que bomba na economia criativa, mas não necessariamente a moda está favorecendo as classes subalternas. Se pegarmos um desfile do Fashion Week, uma marca que trabalha com roupas bordadas. Naquele momento, essa peça no desfile vale não sei quantos mil reais, só que essa peça veio de bordadeiras lá da Paraíba, que receberam um preço muito inferior pela produção e o trabalho delas não é valorizado e não é mostrado no desfile”, comenta Maria Eduarda.

A universidade, então, agiria a partir do trabalho dessas bordadeiras, que não são vistas pela sociedade e não têm seu trabalho divulgado. Para a estudante, o papel da academia seria “tentar quebrar as barreiras da universidade com a comunidade e mostrar para as pessoas o que a comunidade faz, o potencial disso, valorizar e conectar”.

Em Bauru

A UNESP de Bauru possui o NeoCriativa, grupo de estudos formado por alunos de diversos cursos de comunicação e administrado pelo Professor Juarez Xavier.

“No nosso grupo de estudos, o Neocriativa, a gente estuda a economia criativa com a proposta de ser uma mudança”.

As áreas pesquisadas por esses jovens de Bauru são divididas em quatro segmentos: Mídias, Artes em geral (artes visuais, plásticas), Patrimônio histórico (como a capoeira, por exemplo) e Inovações Técnico Funcionais, como os games.

“Dentro desses quatro segmentos, nós pensamos nos grupos subalternos — não hegemônicos, e em como a economia criativa pode ser um motor de gerar renda e cultura pra essas comunidades. A ideia é fazer um mapeamento geral da economia criativa em Bauru, como elas funcionam, como se conectam, como elas vivem, entre outros”, comenta Maria.

E ela ainda completa: “Bauru é uma cidade criativa, mas ela não sabe disso ainda. Existe cultura, existe riqueza, mas não está à mostra. Tem muita gente realizando atividades aqui na cidade, sejam elas ligadas a musica, ao teatro, e muitas vezes elas estão isoladas e não conectados com o setor público”.

Em todo o mundo

A economia criativa, focada nos grupos subalternos, revela uma expressão cultural e pretende fazer uma valorização da cultura nacional. “Um país rico em cultura não é um país rico em dinheiro e é aí que entra a economia criativa, porque ela pode mudar isso”, diz Maria Eduarda. Quanto mais estudos e pesquisas voltadas para a Economia Criativa das comunidades menos favorecidas, mais poderemos fazer com que as culturas menos favorecidas e representadas sejam vistas pela sociedade. E é isso que precisa ser feito. Investimentos nesses grupos criativos com a finalidade de conectar uma cidade e, por que não, um país inteiro.

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