Qual é seu limite?

Em uma sociedade de culto ao álcool, é possível combater o exagero na bebida?

Ana Luiza Martins

A morte do estudante de engenharia da UNESP em decorrência do abuso de álcool em fevereiro deste ano fez mais do que comover a comunidade acadêmica e a sociedade além dos muros universitários. A tragédia acendeu um debate sobre a forma como toda a sociedade se relaciona com o álcool. Afinal, quem nunca exagerou em uma festa e não lembra o que fez no dia seguinte, ou pelo menos não presenciou um amigo fazer o mesmo? Até que ponto a cerveja no happy hour é inofensiva, e o drink no fim do dia de trabalho apenas uma forma de relaxar e afastar o cansaço?

A tragédia acendeu um debate sobre a forma como toda a sociedade se relaciona com o álcool (Foto: calicedevida.com.br)

A tragédia acendeu um debate sobre a forma como toda a sociedade se relaciona com o álcool (Foto: calicedevida.com.br)

Entre jovens, bebe-se muito e cada vez mais. O ambiente universitário é propício ao consumo: muitos se veem livres para frequentar festas pela primeira vez na vida, e encontram nos colegas companhia e incentivo para consumir bebidas alcóolicas. A UNESP não é a única universidade brasileira a perder um aluno para o álcool: em 2012, dois estudantes da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) faleceram após exagerarem na bebida em festas.
Ana Cecilia Petta Roselli Marques, doutora em Ciências pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e médica psiquiatra, explica que não existe consumo moderado em relação ao álcool, já que “os indivíduos são diferentes e para cada um de nós o limite também é diferente. Para a Organização Mundial de Saúde (OMS), o uso considerado de menor toxicidade é de duas latas de cerveja, de 360 ml cada, ou dois copos de vinho, de 90 ml cada, ou ainda duas doses de destilado, 40 ml cada para mulheres, e três para os homens, por situação de três horas”, explica Ana Cecilia, que também é pesquisadora do Instituto Nacional de Tecnologia e Ciência para Políticas sobre Álcool e Drogas.
Para a especialista, o combate ao abuso deve ser composto de três medidas: controle da oferta, prevenção e tratamento.  Ela comenta ações que podem conscientizar a sociedade sobre os perigos do álcool. “Campanhas permanentes de prevenção, intervenção para detecção precoce daqueles que se relacionam com a bebida de forma problemática, banimento da propaganda, controle real do acesso, diminuição da disponibilidade, entre outras medidas”, finaliza.

Anúncios

Uma resposta para “Qual é seu limite?

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s