Como está Auschiwitz 70 anos após a libertação?

Desde a criação do museu em 1947 até hoje, o maior símbolo do Holocausto recebeu mais de 30 milhões de visitantes

Por Fernanda Luz

Há 70 anos, o maior complexo de campos de concentração do III Reich, na era nazista, era libertado pelo exército vermelho. No auge do holocausto, cerca de 6 mil pessoas eram assassinadas por dia e, até o momento de libertação, mais de 1 milhão morreram dentro de Auschiwitz. Atualmente, o local é um museu a céu aberto com turismo intenso.

Os campos foram construídos no começo da década de 1940, a cerca de 60 km da capital polonesa, Cracóvia, e nos anos seguintes, foram ampliados e receberam câmaras de gás. Quando os prisioneiros chegavam no local eram separados: as mulheres eram examinadas, estudadas e passavam por experiências; outros eram mortos assim que chegavam e os que sobreviviam faziam trabalhos exaustivos e forçados. O complexo foi construído pelo fato de que havia um excesso de presos judeus, principalmente poloneses, que ultrapassvam a capacidade das prisões convencionais na Europa que estava sendo conquistada pela tropas nazistas.

Entrada principal de Auschiwitz. Foto: Eli Wagner (arquivo pessoal)

Entrada principal de Auschiwitz. Foto: Eli Wagner (arquivo pessoal)

Em 27 de Janeiro de 1945, dia lembrado como o Dia Internacional da Lembrança do Holocausto, Auschiwitz foi liberada do regime nazista pelas tropas soviéticas, e 70 anos depois, o maior símbolo do Holocausto é hoje um complexo de museu a céu aberto, sendo considerado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO.

O UniversiTag# conversou com professor doutor em Filosofia pela Unicamp, Eli Wagner Francisco Rodrigues, esteve em Auschiwitz em 2014 e organizou, em Junho na Unesp de Bauru, uma exposição fotográfica sobre o local. Ele conta que se interessa pela história do nazismo desde criança, baseando-se nos filmes de guerra e estudando sobre o assunto. “Em 2001 estudei na Alemanha e visitei alguns pontos históricos como o Reichstag e outros monumentos ligados à segunda guerra, mas minha maior curiosidade sempre foi Auschwitz, pois foi ali que a chamada solução final foi executada”, e complementa que durante os anos após sua visita, o número de documentários sobre o campo cresceu e ele se tornou um colecionador e pesquisador no assunto.

Em suas visitas, Eli conta que apesar da história, o local recebe turistas diariamente, porém têm uma postura distinta de outros lugares turísticos comuns, “percebe-se a todo tempo uma postura de respeito e introspecção nas pessoas e até mesmo os rituais de fotografias é diferente pois as pessoas não se sentem à vontade para fotografar livremente (selfies etc), é um clima de reverência”, afirma.

Foto: Eli Wagner (arquivo pessoal)

Foto: Eli Wagner (arquivo pessoal)

As histórias relatadas, a intolerância política e étnica, além dos crimes cometidos contra os Direitos Humanos nessa época trazem à tona muitas lembranças aos 300 sobreviventes do Holocausto. Eli acredita que a importância de se lembrar e preservar as ruinas de Auschiwitz são a representação de “algo a ser evitado em homenagem àqueles que perderam a vida de maneira tão planejada (…) fundamental para a formação cultural das novas gerações. A questão da memória é trabalhada na esperança de se aprender com os erros passados da humanidade”, explica.

 

Entrada do trem ao complexo. Foto: Eli Wagner (arquivo pessoal)

Entrada do trem ao complexo. Foto: Eli Wagner (arquivo pessoal)

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