O lado obscuro da indústria pornô

As consequências da pornografia, tanto para público quanto para profissionais, são radicais, e, no entanto, desconhecidas

Por Melanie Castro

Quem vê Shelley Lubben dando palestras em igrejas, provavelmente não a vê como uma ex-atriz pornô, conhecida nesse universo pelo nome de Roxy. Hoje, ela é presidente da ONG Pink Cross, dedicada a recuperar profissionais da pornografia e conscientizar o público quanto aos números assustadores dessa indústria. Entre eles, o mais assustador talvez seja a expectativa de vida das atrizes pornô: 36,3 anos, menos da metade da média mundial para mulheres (73 anos).

Somente em 2014, 208 atrizes e atores morreram prematuramente, entre suicídios, overdose, AIDS e outras causas. 66% de todos os atuantes tem Herpes genital, uma doença incurável e sexualmente transmissível. A responsabilidade de todos estes abusos, segundo Shelley, é de todos nós; e as consequências também.

 

(Shelley Lubben também conta suas experiências de abuso e violência num livro autobiográfico. Foto: Divulgação/Amazon)

(Shelley Lubben também conta suas experiências de abuso e violência num livro autobiográfico. Foto: Divulgação/Amazon)

 

O maior público consumidor de pornografia online é de adolescentes de 12 a 17 anos do sexo masculino; e 90% dos jovens de 12 anos hoje assistem pornografia regularmente. Levando em conta um estudo da Universidade do Arkansas, onde menos de 9% dos filmes pornográficos mais populares continham algum tipo de comportamento relacionado à intimidade (carícias, beijos, elogios, riso), quais tipos de homens estão sendo formados por esse conteúdo?

A palestra de Ran Gavrieli no TED pode nos dar alguns indicadores. Segundo Gavrieli, que estuda a prostituição em todo o seu espectro e dá cerca de 300 palestras anuais sobre os malefícios da pornografia, defende estarmos formando jovens com fantasias sexuais envolvendo violência e abuso. “A indústria pornô não é a materialização da liberdade sexual ou de expressão; é a materialização da exploração sexual, andando lado-a-lado com a exploração sexual, tráfico humano, estupros, cafetões, aliciamento. É preciso deixar de consumir pornografia, para resgatar o sexo física e emocionalmente seguro”.

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