Coletivos reagem as manifestações de racismo na Unesp

Universidade tem caso de racismo, mas movimentos e coletivos negros se unem para demonstrar repudio e indignação

Marina Walder

Um dos banheiros masculinos do campus da Unesp de Bauru amanheceu há pouco mais de um mês com pichações racistas. As mensagem diziam “Unesp cheia de macacos fedidos”, “Negras fedem”, entre outras ofensas. Um dos alvos diretos foi o chefe do departamento de comunicação social, professor Juarez Tadeu de Paula Xavier.

A Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (FAAC) realizou após o ocorrido uma congregação aberta para debater o assunto e abriu sindicância para apurar o crime.

A Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (FAAC) realizou após o ocorrido uma congregação aberta para debater o assunto e abriu sindicância para apurar o crime.

Como uma maneira de demonstrar repúdio e indignação perante os fatos ocorridos, e solidariedade a comunidade negra, o Movimento Hip Hop, com o apoio do Coletivo Negro Kimpa, organizou no dia 5 de agosto, um ato dentro da Unesp que contou com a presença de militantes, artistas e colaboradores do movimento, que levaram cartazes  para denunciar os casos de racismos cometidos contra os negros.

O estudante de jornalismo e membro do Coletivo Negro Kimpa, Pedro Borges, conta que o coletivo se consolidou no começo desse ano, a partir da necessidade de conversar sobre questões raciais dentro da universidade. Hoje ele atua como agente político promovendo debates, atos contra manifestações racistas. “A gente acredita que é fundamental sair do espaço universitário, porque o racismo transpõe os muros da universidade”, afirma.

Segundo Borges, a juventude negra não tem se sentido representada pela democracia vigente e nem pela divisão partidária democrática. “Outras lutas, outras pautas tem sido colocadas. Há uma falha grande em relação à questão de gênero, de raça. Essas características sempre ficaram em segundo plano.”

Para o professor Juarez, na universidade é possível criar mecanismos mais democráticos e inteligentes para o debate, avaliação e implantação da pauta da diversidade. E é inevitável que isso ocorra, em razão das cotas, adotadas como política pública de ingresso pela Unesp.

Ao ser questionado sobre a importância de atos como o que ocorreu na semana passada, professor pontua que se abriu um debate necessário na instituição. “Os dados da CPI estadual dos trotes, dá a dimensão dos problemas enfrentados pelas/pelos alunas/alunos ‘fora do padrão hegemônico’ – macho, branco, heterossexual e de classe média: racismo, machismo, homofobia, xenofobia e violência contra pessoas com deficiência. Minha ação como chefe do departamento de comunicação social e coordenador do Núcleo Negro Unesp para a Pesquisa e Extensão [NUPE] é pautar o tema da educação para a diversidade, em toda a graduação, como já assinalou o interesse da Pró Reitoria de Graduação, em estimular o debate em toda a universidade. Sou da compreensão de que essa não é tarefa de um docente ou de uma área, mas de toda a universidade”, destaca o professor.

Pedro afirma a importância de atos que demonstrem o repúdio e combatam qualquer manifestação de exclusão social. “A gente tá aqui, não vamos recuar. A gente não vai ceder ao racismo, nosso trabalho é de militância, é de pautar a igualdade racial”, afirma.

 

Anúncios

Uma resposta para “Coletivos reagem as manifestações de racismo na Unesp

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s