Dólar alto é bom ou ruim?

O cenário nacional está estagnado e o UniversiTag# procurou entender o por quê a alta do dólar afeta tanto a economia aqui no Brasil

Por Fernanda Luz

Muitas pessoas reclamam que a alta do dólar é reflexo da crise política e econômica nacional, mas o que o atual valor da moeda influencia na vida das pessoas? Na última sexta (11), o dólar atingiu a cotação em R$3,90, maior valor desde 2002, segundo a Agência Reuters, e alguns setores tem motivos para comemorar e outros nem tanto.

O cenário atual do Brasil (e do mundo) é de recessão, ou seja, se produz mais que a oferta e os salários não possuem alto poder de compra, o que afeta a movimentação da economia. Por isso, a sociedade está num período de contenção dos gastos e qualquer ação a longo prazo deve ser planejada.

O Real que está desvalorizado diante do dólar no mercado internacional. (Fonte: Pixabay)

O Real que está desvalorizado diante do dólar no mercado internacional. (Fonte: Pixabay)

Para os investidores, os ânimos estão acanhados diante da crise política nacional, preocupados com o comprometimento do governo com o ajuste fiscal, que é a tentativa do governo gastar menos que arrecada. Estamos num período de falta de confiança, de medo diante da instabilidade da economia. Porém, grande parte desses ânimos são influenciados pela mídia.

Entre as preocupações individuais dos consumidores, o historiador e professor Maximiliano Martin Vicente, diz que eles “devem ter outra preocupação que é cobrar do poder publico mudanças internas para começar a reverte esse processo e o poder público tem sim como agir”, afirma. Por outro lado, Max diz que não devemos comparar a economia brasileira atual com os anos 80 ou 90, ou mesmo com as economias decadentes da Espanha ou Grécia. O Brasil hoje possui uma economia sólida e diversificada, com mais infraestrutura, mais petróleo, energia, projetos em andamento, contas públicas mais sólidas, crescimento do mercado consumidor interno, amadurecimento da mão-de-obra.

Segundo o blog de economia pessoal Organizze, o cenário favorável ao Brasil seria se os importadores movimentassem mais a economia nacional, comprando produtos fabricados aqui, o que aqueceria a indústria, geraria mais empregos. Mas visando o lucro, os empresários preferem competir com o mercado externo.

Gráfico do aumento do valor da moeda americana durante o mês de setembro (Reprodução G1)

Gráfico do aumento do valor da moeda americana durante o mês de setembro (Reprodução G1)

Engana-se quem pensa que o pior fator da crise é a alta do dólar. Os produtos importados são um dos mais afetados, já que eles atravessaram o oceano para chegarem ao Brasil, portanto, foram comprados em dólar, só que com a valorização da moeda, estes mesmos produtos tiveram que sofrer reajuste causando acúmulo de estoque. Por outro lado, empresas brasileiras que exportam aumentam os lucros. Como? Pode-se chamar de “conta da alegria”, onde as empresas aproveitam a situação da alta da moeda para baratear os produtos vendidos fora do país, aumentando a competitividade externa, porém quando o valor final é convertido em reais, o ganho final é maior em relação às outras cotações.   

Aqui no Brasil, já vemos um cenário caro, apesar da inflação ter diminuído, ela afeta os produtos internacionais, importados e também os nacionais, já que os mesmo são vendidos por um preço baixo para o exterior. Dessa forma, o produtor nacional eleva os valores internos para competir com a exportação, afetando o mercado nacional, deixando-o mais caro.

Outro motivo que o cenário atual pode ser favorável é o do turismo, já que com o dólar alto, os turismos extrangeiros que veem ao Brasil, podem injetar mais dinheiro no nosso mercado, aquecendo a economia na regional, melhorando a vida dos habitantes nas cidades turísticas brasileiras.

Max afirma ser quase impossível sair dessa crise, porém afirma que “o momento atual é tentar aquecer a economia internamente e o atual governo está indo na direção oposta, ou seja, conter despesas e com isso a economia estagna, não cresce”, e se as medidas não forem tomadas, a estagnação se prolongará, ficamos dependente do mercado e da economia externa.

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