Entenda a crise

O economista André Danelon explica os fatores que levaram o país a enfrentar a atual crise e o que esperar dela para os próximos anos

Por Michele Matos

Nos últimos meses, muito se ouviu falar sobre uma crise que está assolando o país e afetou diversos setores da economia. Mas, afinal, o gerou essa tal crise que tanto se fala e que, de uma hora para outra, chegou para balançar as estruturas do nosso bolso?

De acordo com o economista André Danelon, formado pela Universidade de São Paulo (USP), o atual quadro econômico do país não teve início agora – é resultado de uma consequência de fatores gerados há muito tempo.

“Com a crise em 2008 e a redução das importações chinesas, o Brasil adotou uma estratégia para amortecer a crise: aumentou os gastos do Governo e facilitou o consumo das famílias (crédito barato), que fizeram com que as empresas no Brasil conseguissem manter os níveis de produção. Esse remédio adotado pelo Governo tem um limite. Afinal, o Governo, como qualquer empresa, tem receitas, custos, despesas e poupança. O Brasil estava com boas reservas até, mas consumo das famílias não é investimento e, esse tipo de política não poderia durar, afinal, investimentos geram receitas no futuro, consumo, não”.

O economista analisa que o planejamento e tempo de maturação exigidos para se aplicar em algum negócio tenham desmotivados os investidores. Quando questionado se o consumo não poderia manter as empresas e elas voltarem a investir, André explica que, nessa época, o mercado internacional também enfrentava dificuldades.

“[A economia] até poderia manter as empresas, mas o mercado mundial estava em crise e desaquecido. No Brasil só permanecia estável por causa do Governo” e continua: “assim, as empresas não intensificaram os investimentos, já que o mundo estava com a economia mais lenta”, explica André.

Com as reservas brasileiras apresentando escassez, ficou notável que esse modelo de economia precisava parar. André acredita que as eleições de 2014 foi motivo importante para que não fossem realizadas muitas mudanças no cenário econômico nacional: “com as eleições, ninguém fala em aumentar juros ou cortar gastos”.

Ele ainda afirma que o Governo com pouca verba – que segurou para o PIB não cair – somados a inflação gerada, Petrobrás com déficit e entre outras situações contribuíram para uma das piores crises de últimos anos. Entramos e 2015 com perspectivas de déficit, inflação alta e crescimento nulo.

crise

Crise atinge vários setores da economia e pode durar mais um ano

Como reverter?

O economista avalia que algumas medidas urgentes devem ser tomadas para que haja uma melhoria do atual cenário. “Uma das possíveis soluções é a adoção de um pacote fiscal. Vai apertar o cinto, cortar gastos e subir juros”, afirma André. Ele também acredita que se deve evitar interesses políticos para reverter o cenário econômico, que podem atrapalhar a atual situação e acreditar nas expectativas de melhoria, que devem acontecer de vez em 2017.

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