Esquema de trabalho escravo imigrante é descoberto no Rio

Chineses vinham para o Brasil e trabalhavam em jornadas de até 14 horas por dia

Por Fernanda Luz

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) descobriu, recentemente, um sistema de corrupção no controle imigratório do aeroporto internacional Tom Jobim, Galeão, no Rio de Janeiro. Segundo o ministério, onde os agentes da imigração cobram propinas de donos de pastelarias e atravessadores que trazem chineses para trabalhar em regimes análogos à escravidão, com rotinas exaustivas, escravidão por dívida, em lanchonetes no Rio.

Nos últimos 3 anos, 10 chineses jovens foram resgatados do trabalho escravo em pastelarias no Rio de Janeiro. O Jornalistas Livres publicou uma série de relatos dessas pessoas que passavam por jornadas de 14 horas por dia, todos os dias da semana. Dentro do aeroporto, o esquema de pagamento da propina para os policiais federais era feito no próprio saguão do Galeão, segundo a denúncia do MTE entregue ao Ministério Público Federal (MPF) no final de julho deste ano. O documento de uma testemunha diz que “para cada chinês liberado, seriam cobrados R$ 42 mil. O pagamento, a princípio, seria realizado pelo patrão-comprador”, mas o pagamento ficaria no nome do próprio imigrante que durante os anos no Brasil deveria pagar a dívida, “o senhor cobraria a conta do próprio imigrante na moeda do trabalho extenuante por dois ou três anos, sem remuneração, em mais uma flagrante prática escravocrata”, conta.

Chineses trabalhavam em péssimas condições. (Foto: Arquivo/Domingos Peixoto / O Globo)

Chineses trabalhavam em péssimas condições. (Foto: Arquivo/Domingos Peixoto / O Globo)

Os chineses resgatados relatam que nas ruas da cidade de origem havia cartazes espalhados expondo as “oportunidades” de emprego no Brasil, um engano para as famílias que mandavam seus filhos para outro continente, frente ao desespero da pobreza na China. Conforme a Política Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, essa situação configura o tráfico de seres humanos, onde a “a intermediação, promoção ou facilitação do recrutamento, do transporte, da transferência, do alojamento ou do acolhimento de pessoas para fins de exploração também configura tráfico de pessoas”, e tal artigo não depende da vontade da vítima, nessas situações não pode haver negociação.

Além deste caso com chineses no rio, os número de escravos tanto nativos quanto imigrantes é desconhecido. O que se sabe são os dados presentes no site da Repórter Brasil nos infográficos de todas as fiscalizações já feitas do MTE, junto com o Ministério Público do Trabalho, Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal desde 1995.

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