O que Carmens e Mirandas têm?

Uma breve retrospectiva da pequena grande notável

Por Aline Antunes

Do fervor do caldeirão carioca do início do século XX transbordavam artistas, malandros, Carmens e Mirandas.

Portuguesa de Nascimento, a pequena notável de alma brasileira cresceu assimilando a estética, a linguagem e a sonoridade do seu novo berço. Aprendendo as gírias e expressões das rodas boêmias, criou sua persona: a representação do novo século.

Considerada como a primeira artista multimídia do Brasil, Carmen Miranda não só cantava, mas dançava e atuava. De acordo com o agitador cultural, Guilherme Rosa, Miranda foi a maior estrela do disco, do rário, do cinema, dos teatros, da mídia, e até mesmo dos cassinos brasileiros.

A multiartista apreciava diversos estilos, inclusive o tango, mas as marchinhas de carnaval e o samba a eternizaram. Gravou canções de nomes grandes como Ary Barroso, Dorival Caymmi e Pixinguinha.

Carmen Miranda caracterizada da maneira que a fez reconhecida internacionalmente. (Foto: Wikimmedia Commons).

Carmen Miranda caracterizada da maneira que a fez reconhecida internacionalmente. (Foto: Wikimmedia Commons).

Guilherme a caracteriza como protagonista de uma carreira meteórica. “Carmen Miranda teve uma projeção internacional como nenhuma outra. Seu sucesso se deu em diversos países da América Latina, com destaque na Argentina, e subiu até os Estados Unidos”. A brasileira de coração é, até hoje, a única latino-americana a gravar pés e mãos no cimento da calçada da fama de Los Angeles. Chegou a virar até boneca de papel e desenho animado da Disney, tamanha sua relevância nos EUA.

Em relação a sua imagem retratada pelos americanos, a musicista e fã Alice Nunes declara ter sido feita de maneira preconceituosa e deturpada. De acordo com ela, Carmen foi retratada no cinema americano com uma imagem atrelada à caricatura da mulher latina, aquela ciumenta, irritada, com sotaque carregado e exagerado. Alice acredita que esse fato se deu pelo incentivo dos produtores americanos. Eles nada tinham a ver com a realidade, pois Carmen tinha um inglês fluente.

A cantora morreu, aos 46 anos, no dia 5 de agosto de 1955, após gravar um programa de televisão em Los Angeles. Depois de tanto sucesso e compromissos, Carmen também foi uma artista engolida pelos remédios para dormir e acordar, e pela pressão da Indústria.

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