O retrato dos timorenses em Bauru

As dificuldades e peculiaridades do cotidiano dos intercambistas do Timor-Leste na UNESP de Bauru

Vitor Rodrigues

No último mês de julho, o UniversiTag# publicou nota sobre os alunos que estão estudando na Faculdade de Ciências da UNESP de Bauru para se tornarem os primeiros meteorologistas do Timor-Leste. Interessada no cotidiano dos oito jovens intercambistas, a reportagem decidiu ir um pouco além e conversar de maneira aprofundada com Natividade, Marcolino, Joviano, Ozório, Simão, Nano, Orchytta e Angelina.

Turma de Meteorologia em que os timorenses estão inseridos. (Foto: arquivo pessoal)

Turma de Meteorologia em que os timorenses estão inseridos. (Foto: arquivo pessoal)

Mudar de país não é tarefa fácil, ainda mais quando você está acompanhado somente de meia dúzia de amigos. Distância de pessoas queridas, cultura diferente, dificuldades com a língua, falta de dinheiro, tudo contribui para que essa seja uma adaptação bastante difícil e penosa. Esse é o atual dilema desses estudantes que ainda ficarão no Brasil por mais de 3 anos.

Apesar da oportunidade de serem atores de uma experiência riquíssima – e da qual dezenas de outros jovens de seu país gostariam de participar -, existe também o lado trabalhoso desse intercâmbio que já dura cerca de 120 dias em terras tupiniquins.

Para Ozorio Ojoly Anuno, 22, é “preciso aproveitar muito a oportunidade para ajudar a desenvolver a nação, que é a mais nova do mundo”. Todos eles parecem estar muito comprometidos com um espírito de reerguer o Timor-Leste – o que é exatamente o objetivo do governo timorense com o programa de intercâmbio. Como a maioria dos intercambistas, Ozorio também faz questão de ressaltar que o seu sonho é se tornar um especialista na área meteorológica. “Quero ajudar a melhorar essa área no meu país, pois vou ser um dos primeiros meteorologistas de lá”, diz ele.

Sobre a experiência, o jovem também descreve a UNESP como uma universidade “onde os docentes ensinam muito bem e os estudantes te recebem de braços abertos”. Quando perguntado sobre o Brasil, Ozorio diz que aqui existem mais oportunidades por ser um país grande e com muita diversidade.

Ozorio Ojoly Anuno (Foto: arquivo pessoal)

Ozorio Ojoly Anuno (Foto: arquivo pessoal)

Orchytta Mtilman, 21, uma das duas garotas do grupo, conta que já fazia faculdade em seu país, mas quando passou na prova dos bolsistas resolveu escolher o curso de meteorologia e encarar o desafio. Segundo ela, apesar de a língua ainda ser uma dificuldade, as diferenças estão mais nos sotaques, pois a língua oficial timorense também é o português (apesar de muitos falarem tétum).

Orchytta Mtilman (Foto: arquivo pessoal)

Orchytta Mtilman (Foto: arquivo pessoal)

Já Marcolino, 19, cita cultura, ambiente e gastronomia como os três principais fatores de dificuldades para os intercambistas no Brasil. Quando perguntado sobre o seu sonho, também se mostra muito motivado para ajudar no desenvolvimento do pequeno país. “O meu sonho é, futuramente, me tornar um bom profissional de meteorologia”, conta ele. Além disso, diz estar orgulhoso por estudar em uma universidade como a UNESP.

Marcolino Aleixo Gonçalves (Foto: arquivo pessoal)

Marcolino Aleixo Gonçalves (Foto: arquivo pessoal)

Angelina Freitas, 22, diz que as principais complicações que encontrou ao chegar em terras canarinhas foi o fuso horário e o clima. “Primeiro porque a diferença é de cerca de 12 horas, ou seja, quando lá é dia aqui é noite. Depois o fato do clima, pois lá só temos duas estações no ano, ou seca ou chuvosa”, diz ela. Angelina também já estudava em seu país, mas resolveu deixar o curso para realizar seu sonho que, segundo ela, é se tornar “um entre os bons futuros profissionais de meteorologia que o país terá”.

Angelina Freitas (Foto: arquivo pessoal)

Angelina Freitas (Foto: arquivo pessoal)

Joviano Soares da Fonseca, Simão Telles Fernandes, Nano Ruas e Natividade Rodrigues não foram encontrados para a entrevista. Talvez o fato de os jovens estarem em processo de mudança de residência tenha dificultado o contato.

Quando chegaram ao Brasil, todos eles ficaram alojados em uma pensão. Hoje, já estabelecidos e mais à vontade, começam a procurar alternativas para melhorar sua qualidade de vida e aprimorar cada vez mais essa experiência única que estão tendo a oportunidade de desfrutar.

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