Torcidas organizadas empurram o time do Bauru Basquete

Fúria 99 e Loucos da Central estão presentes nos jogos da equipe bauruense, dentro e fora de casa

Por Tiago Pavini.

Quando se fala em esportes na cidade de Bauru, já vem à memória o local onde um tal Edson Arantes do Nascimento, oriundo de Três Corações, deu seus primeiros chutes a gol pelo Bauru Esporte Clube (BAC). Vem a memória também o time centenário do Noroeste. Mas, ultimamente, é o time de basquete da cidade que está se destacando, ganhando espaço nacional e internacionalmente, e se tornando um dos principais embaixadores da cidade bauruense. Em 1996, o Bauru Basquete deus seus primeiros passos conquistando o título da segunda divisão paulista, enquanto ainda mandava seus jogos no ginásio do Luso. Hoje, o ginásio Panela de Pressão parece pequeno para a torcida que está prestes a acompanhar a decisão do campeonato mundial contra o Real Madrid nos dias 25 e 27 de setembro. A torcida não abandona o time e, atualmente duas organizadas são fiéis a essa “religião”: Fúria 99 e Loucos da Central.

Fúria 99 – Dezesseis anos de apoio

fúria 99O ano era 1999, e o Bauru Basquete disputava pela primeira vez o campeonato nacional. Com patrocínio da Tilibra, a equipe conquistou o 4º lugar e vaga na Sul americana. Mas no dia 7 de setembro daquele ano, surgiu uma das maiores forças do time bauruense: a torcida organizada Fúria 99. “Com o intuito de participar e acompanhar nossos guerreiros em todas as localidades, um grupo de torcedores se reuniram e decidiram criar uma torcida organizada.
Já no primeiro ano de fundação fomos premiados com o primeiro título paulista do Bauru Basquete”, fala Jair Orti, presidente de honra e diretor da torcida, relembrando o título em cima de Franca. Atualmente, a torcida possui 70 associados e tem sua sede localizada no Recanto Chácara Jaisa. O nome Fúria 99 foi escolhido “pela vontade de vencer seus obstáculos com garra, lealdade e dedicação ao projeto bauruense”, afirma Jair.

A torcida esteve presente na maioria dos jogos e vivenciou a conquista do primeiro título nacional, em 2002, após derrotar o Uniara Araraquara na final por 3×0 (naquela época, as finais eram decididas em 5 jogos). Antes, a equipe de Bauru havia vencido o forte time do COC Ribeirão Preto. “Infelizmente após esta magnífica vitória (título), o time ficou sem seu patrocinador máster”, lamenta Jair, que viu o time se licenciar em 2003. “De 2003 até meados de 2008 ficamos acompanhando o basquete apenas pela mídia e assistindo  o COC  levantar  todos os títulos  disputados”, relembra. Mas a história do time e da torcida se confundem. O time voltou em 2008, época também da revigoração da Fúria 99, que teve a adesão de jovens torcedores. “Apaixonados pelo basquete, vieram a somar conosco. Vimos a equipe ser formada com a chegada de muitos talentos e foi retomada nossas caravanas. Presenciamos grandes vitórias, como paulista de 2013 e 2014”. Mas Jair também não se esquece dos jogos complicados, lembrando as derrotas contra o São José em 2011 e 2012 no paulista. Na última temporada, a Fúria 99 viajou pelo Brasil e pelo mundo atrás de sua paixão. “Estivemos em todos os jogos do Bauru, desde  os times de São Paulo até em outros estados, nos 32 jogos realizados. Representamos a torcida fúria inclusive em Cancun, no México, durante a disputa da  Liga das Américas de basquete”.

torcida fúria

Torcida faz a festa para comemorar título no ginásio Panela de Pressão. Foto: Arquivo pessoal.

Com 16 anos de trajetória, a torcida acumula boas histórias na bagagem. Em 2001, quase perderam um amistoso contra o time de Mogi, em Campinas. “Saímos de Bauru por volta das 18:00 em minha Kombi toda  personalizada. Ela se chamava ‘furiosa’. Quando chegamos ao ginásio,  faltavam apenas 6 minutos para o término do jogo. Para nossa alegria, o jogo empatou e teve  mais 5 minutos de prorrogação.
No final, o nosso treinador Jorge Guerra nos elogiou pelo carinho  a equipe”, conta Jair. Segundo ele, a união entre a torcida Fúria e a diretoria do time se fortaleceu nesse dia. “Estamos sempre nos reunido em nossa sede para momentos de grande alegria com os amigos do basquete”.

Jair acompanha o Bauru Basquete desde 1998, e conseguiu transmitir essa paixão para toda sua família. Para ele, basquete é mais emocionante que futebol. “Basquete é mais empolgante e dinâmico, vibramos do início ao fim. No futebol tem a corrupção, violência e muitos jogos chatos que terminam em zero a zero, além dos preços exorbitantes”, conta, dizendo que a Fúria é 100% basquete.

A torcida está em contagem regressiva para o campeonato Mundial contra o Real Madrid, nos dias 25 e 27 desse mês. Os jogos serão no ginásio de Ibirapuera, em São Paulo, e contará com a presença da Fúria 99.

Loucos da central – “Dizem que somos Loucos”

loucos da central fotoQuando o Bauru Basquete mandava seus jogos no ginásio do Luso, havia um grupo de amigos que, vestidos de branco, sempre sentavam no centro do ginásio. O local era próximo do banco do adversário, que sentia a pressão dos donos da casa. “A diretoria se referia a gente como ‘aqueles meninos da central’, que dão trabalho, pressionam e fazem o jogador tomar falta técnica”, conta Luan Prudente, um dos fundadores e atual presidente da torcida. Estava nascendo aí a torcida organizada Loucos da Central. Fundada em 14 de janeiro de 2014, a torcida fez sua estreia no dia 9 de abril no ginásio Panela de Pressão, em jogo contra o Ceará pelas oitavas de final do NBB 6 (temporada 2013/2014). Inicialmente com seis integrantes, hoje o número de associados chega a 70.

Quando a torcida surgiu, gerou desconfiança. “Muita gente desacreditou, falaram que iríamos durar só os playoffs. Mas provamos o contrário”.  A Loucos da Central tem como objetivo trazer as características da torcida do futebol para o basquete. “Criamos a torcida porque percebemos que existia uma carência. Trouxemos a arquibancada para o ginásio, tem que ter faixa estendida e ficar cantando”, fala Luan. A influência veio de sua primeira paixão: o Noroeste. Sempre presente no Alfredo de Castilho, Luan diz que os públicos do futebol e do basquete são diferentes. Mas já está acontecendo a união das torcidas dos dois esportes. “Integrantes das duas torcidas organizadas do Noroeste vêm assistir jogos no Panela conosco”, conta, que até já estendeu a bandeira do Noroeste em jogos de basquete.

Sem sede fixa, o Bar do Totó, próximo ao Panela de Pressão, é um dos pontos de encontro dos integrantes da torcida após os jogos. As reuniões são realizadas na casa de integrantes semanalmente em período de temporada, e mensalmente durante o recesso dos campeonatos.

Apesar do pouco tempo de vida, a Loucos da Central já traz boas histórias na bagagem, principalmente das viagens realizadas para acompanhar o time de Bauru. “A primeira (viagem) foi a mais marcante. Não tínhamos um real no caixa porque gastamos tudo com material, e fomos para o Rio de Janeiro acompanhar uma partida contra o Flamengo. Ganhamos o jogo e voltamos chorando igual crianças”, conta Luan. A torcida ainda conseguiu rifar uma camiseta por R$1500,00 para ajudar nos custos. O Rio de Janeiro também foi palco de outra viagem inesquecível, quando foram até Macaé para assistir o time de Bauru. “Estávamos a passeio no Rio de Janeiro, mas decidimos ir ver o jogo. Macaé fica longe do Rio, então perdemos um dia de passeio. Nossas namoradas queriam nos matar (risos)! Chegamos no meio da partida, o ginásio não era muito bom. Mas cantamos o jogo inteiro, e vencemos”, relembra o presidente da torcida. Após esse dia, a frase “Macaé é obrigação” se tornou corriqueira.

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Torcida viajou até Marília para acompanhar a final do NBB7 contra o Flamengo. Foto: Arquivo pessoal.

As viagens para Franca são obrigatórias para a torcida, que considera o time da capital do sapato masculino como maior rival de Bauru. “Precisamos estar lá estendendo nossa faixa e representando Bauru. De viagem a gente não tem preguiça”, conta Luan. Em uma viagem para Limeira, na disputa da final do Paulista de 2014, a Loucos da Central conquistou um torcedor adversário. “Teve um menininho de Limeira que gostou da torcida, e demos uma camisa pra ele. Ele ficava cantando no meio da torcida deles! Depois, ele veio para Bauru acompanhar o outro jogo da final, e os pais dele disseram que tinha virado mais um louco (em alusão ao nome da torcida)”.

Para a disputa do Mundial contra o Real Madrid nesse mês, a Loucos da Central já está preparando uma camisa com os dizeres “Dizem que somos loucos”. A caravana para assistir os jogos em São Paulo já está sendo organizada, e a expectativa é de voltar com a melhor das histórias na bagagem, junto com o título.

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