A psicoterapia auxilia no tratamento das doenças periodontais

Pesquisador da USP de Bauru realiza pesquisa que relaciona a psicoterapia com o tratamento da periodontite

Por Laís Esteves

A doença periodontal caracteriza-se por alterações inflamatórias, desencadeadas por bactérias, afetando o tecido gengival e os tecidos de suporte, podendo levar à perda dos dentes. De acordo com o Professor Dr. Sebastião Luiz Aguiar Greghi, do Departamento de Prótese, Disciplina de Periodontia da Faculdade de Odontologia de Bauru da USP, fatores genéticos, o tabagismo, o diabetes mellitus e a falta de cuidados com a higiene bucal, dentre outras causas, são condições favoráveis para o seu desenvolvimento.

Além disso, existem fortes evidências que o estresse está relacionado à evolução da periodontite. O professor realizou uma pesquisa para analisar como a psicoterapia pode auxiliar no tratamento das doenças periodontais, por meio de uma avaliação quantitativa das citocinas IL-4, IL-6, IL-8, IL-10 e TGF-β, presentes na saliva de pacientes com periodontite.

A pesquisa contou com a participação de 26 pacientes da FOB-USP, entre 18 e 60 anos, com doença periodontal. Os pacientes foram divididos em dois grupos. O grupo experimental foi submetido à psicoterapia durante 3 meses e o grupo controle não recebeu o tratamento. Durante esse período, os pacientes não poderiam se sujeitar à qualquer intervenção periodontal.

No início e no final do estudo, os pacientes foram submetidos a exames periodontais, radiografia e coleta de saliva, para dosagem de cortisol e das citocinas e avaliação psicológica para análise do nível de estresse. O estudo contou com a participação da psicoterapeuta Dra. Mônica Perri Kohl Greghi.

A comparação estatística entre os dois grupos mostrou uma diminuição do acúmulo de placa e da inflamação gengival no grupo experimental, submetido à psicoterapia. Essa melhora pode estar relacionada à diminuição do nível de estresse e de cortisol desses indivíduos após as sessões.

No caso do grupo controle, houve uma piora no índice de placa. Na análise das citocinas, embora no grupo experimental não tenha havido diferenças significantes estatisticamente, houve tendência à diminuição das citocinas pró-inflamatórias e aumento das citocinas anti-inflamatórias, enquanto o grupo controle houve aumento estatisticamente significante da IL-6, mediador pró-inflamatório.

Desse modo, os autores concluíram que os resultados da pesquisa mostram como a psicoterapia pode influenciar de maneira positiva no tratamento das doenças periodontais.

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