Cyborgism: as fronteiras entre o homem e a máquina

O limite entre uma ferramenta de utilidade científica no suprimento de deficiências humanas e uma cultura criada pelo imaginário do cinema

Por Isabel Silva

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União entre organismo e tecnologia otimiza o ser humano. (Foto: Divulgação/ Neil Harbisson no Museu da Ciência em Londres)

Originado da ficção científica, o ciborgue é derivado da combinação cibernética com o organismo, ou seja, consiste na ampliação das capacidades do homem por meio de aplicações de dispositivos cibernéticos no corpo humano.

Entre o final do séc. XX e início do XXI ocorreram modificações neste conceito devido ao desenvolvimento da neurociência e a descoberta da capacidade de adaptação do cérebro. Conforme afirma Marcio Medeiros, pesquisador da UnB, “a plasticidade do cérebro é uma condição na qual a estrutura cerebral pode ser alterada através de estímulos externos”. O pesquisador ainda exemplifica que, para aprender a utilizar um arco e flecha com boa coordenação é necessário treino. Ao exercitar, o cérebro se adapta à ação e o ato de atirar flechas torna-se cada vez mais eficiente, alterando a organização sináptica do órgão. “Isto permite que a conjugação entre o humano, a tecnologia e a técnica alterem sua condição orgânica, conformando o ciborgue. Deste modo, sempre fomos ciborgues”, explica.

Os aparelhos tecnológicos com os quais interagimos no cotidiano, como smartphones e tablets representam uma ampliação quantitativa dos sentidos humanos. De acordo com Marcio, o segundo caminho da intensificação diz respeito às alterações no corpo por meio de tecnologias como implantes e correções no DNA.

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O Eyeborg venceu o prêmio britânico em Inovação (Submerge 2004) e um prêmio europeu em interface (Europrix 2004). (Foto: Flickr/ Creative Commons)

Neil Harbisson, fundador da Fundação Cyborg, nasceu com acromatopsia, lhe permitindo enxergar apenas tons de cinza. Em 2003, ele participou do projeto de criação de um Eyeborg. A ideia consiste em um sensor, o qual detecta a frequência das cores e as envia para um chip implantado na parte de trás da cabeça. Assim Neil é capaz de ouvir e perceber cores, raios infravermelhos e ultravioletas.

Segundo o professor João Teixeira, da UFSCar, a associação entre corpo e máquina começou há décadas, com o uso de próteses. Mas, também, as máquinas já se estendem para o mundo orgânico. “Será difícil nos distinguirmos dos robôs que nós mesmos construiremos, pois homem e robô já estarão muito misturados”, declara.

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