Instabilidade econômica: até quando?

Depois de um 2015 terrível para a economia nacional, chega um 2016 cheio de incertezas e medos

Por Rafael de Paula

A economia brasileira vai demorar para sair do buraco. Se no início de 2015, as previsões eram relativamente otimistas, o mesmo não pode ser dito deste começo de 2016. Queda no Produto Interno Bruto (PIB), alta do dólar e uma maciça queda nas contratações encheram de desconfiança os investidores internacionais. Tudo isto, aliado à grave crise política atual no país, coloca em xeque a economia nacional.

Mas o que causou uma queda tão vertiginosa nos indicativos econômicos nacionais? Para o economista Reinaldo Cafeo, as raízes do problema têm origem distante. Houve o plano real, e nesta primeira fase não fizeram as reformas estruturantes no país, e isto ficou por fazer. Nestes últimos anos, o Brasil acabou exagerando demais nos gastos públicos. Juntando isto com a falta de investimento gerou um grande desequilíbrio”, comenta Cafeo.

Economia em 2016 - Rafael de Paula - Arquivo pessoal

Reinaldo Cafeo comenta as perspectivas difíceis da economia (Foto: Arquivo pessoal)

Caos político

O economista ainda aponta a maior causa da crise atual: o momento de instabilidade política vivida no Brasil. Em meio a um turbilhão de denúncias da operação lava-jato, o governo comprou uma verdadeira queda de braço com o seu principal aliado, o PMDB. Algo que culminou em pedidos de impeachment e uma carta cheia de ressentimento nas primeiras páginas dos jornais.

Com o advento da Lava Jato, os líderes do PMDB envolvidos na investigação, cogitaram a proteção, e a medida que o nome deles continuavam na baila, a presidente Dilma não conseguiu manter sua base aliada. E uma série de medidas que o governo precisava colocar em prática, precisavam do aval do congresso”, acrescenta Reinaldo Cafeo.

Economia em 2016 - Rafael de Paula - Banco de imagens

Operação Lava-Jato: Caos político eu econômico (Foto: TV Jaguar)

Perspectivas sombrias

Tudo direciona para um 2016 nada fácil para os brasileiros. É o que indica uma carta aberta onde o presidente do Banco Central Alexandre Tombine tenta explicar ao ministro da Fazenda Nelson Barbosa a alta do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no último ano.

No documento, Tombine, apesar de garantir que neste ano “a inflação mensal mais alta cederá lugar a valores que refletirão melhor o estado corrente das condições monetárias, levando a um processo desinflacionário significativo”, o país deverá se manter vigilante em sua política monetária, e sinaliza que o Banco Central adotará “as medidas necessárias de forma a assegurar o cumprimento dos objetivos do regime de metas”, o que para especialistas indica novas altas nos juros, e tentativas de criação de novos impostos, como se dá com a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira, a tão conhecida CPMF.

O futuro parece cada vez mais incerto. Com recordes nas demissões, perda do poder de compra dos trabalhadores e alta dos preços, além da pouca vontade dos parlamentares em cortar os próprios gastos (especialmente em ano eleitoral), quem pagará a conta é o trabalhador. Como de costume.

 

 

 

 

 

 

 

 

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