Mercado de produtos orgânicos

Setor cresce no Brasil, mas não dispensa a preocupação de especialistas

Por Gabriele Rodrigues Alves       

A produção e o comércio de produtos orgânicos se destaca apesar da crise na economia. De acordo com a Associação Brasileira de Orgânicos, o ritmo de crescimento do mercado atinge 30% e para 2016 há uma previsão otimista do Ministério da Agricultura – mais de dois bilhões e meio de reais previstos. O principal produto orgânico brasileiro é o açúcar, seguido de produtos do extrativismo como castanhas, açaí e outros.

O produtor e pesquisador Paulo Marçal Fernandes, da Escola de Agronomia da Universidade Federal de Goiás, esclarece que o desenvolvimento do número de produtores está por volta de 20% e o consumo também tem aumentado. “A produção orgânica vem para mostrar que o uso de agrotóxicos é exagerado e causa todos os tipo de contaminações no ambiente, nos trabalhadores e nos consumidores. Em Goiânia, a procura pelos orgânicos está acima de 50% de acordo com nossos dados obtidos em duas feiras”, comenta o pesquisador.

O consumo cresce em feiras, na merenda escolar, na entrega a domicílio e na venda em varejo. A coordenadora do Centro de Inteligência em Orgânicos da Sociedade Nacional de Agricultura Sylvia Wachsner pontua: “existe sempre procura porque os alimentos orgânicos estão na moda e contamos com boa variedade de hortigranjeiros nas principais cidades”.

Orgânicos - Gabriele - Gabriele Alves

Consumo de orgânicos cresce, mas divide opiniões de especialistas que ainda apostam na agricultura de insumos industrializados (Foto: Gabriele Alves)

Uma preocupação

Mas esses produtos têm uma característica típica: mesmo dispensando agrotóxicos e adubos químicos, são mais caros porque a produção é em menor quantidade. Exigem mão de obra cada vez mais escassa. Assim, mesmo com a procura, o engenheiro agrônomo da Ceagesp Gabriel Bitencourt de Almeida afirma que agricultura orgânica também pode apresentar grandes riscos.

O engenheiro relata o caso do famoso broto de feijão alemão contaminado e reforça a existência de algumas vertentes controladoras de defensivos naturais. Embora não sejam sintetizados industrialmente, também são moléculas orgânicas. “Se combatem pragas e doenças podem também ter ação tóxica no ser humano, com o agravante de não conhecermos a concentração e o tempo de degradação”, afirma Gabriel.  

Ele ainda conta que alguns consumidores buscam nos alimentos orgânicos maior segurança, “mas é possível produzir algo mais seguro e tão saboroso, para todos, com uma agricultura de insumos industrializados”, finaliza.

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