O que acontece no buraco negro fica no buraco negro

Qualquer evento que ocorre no interior de um buraco negro é desconhecido. Nenhuma matéria pode escapar, nem mesmo a luz

Por Isabel Silva

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A atração gravitacional de um buraco negro é tão intensa que é capaz de alterar a percepção de espaço e tempo. (Foto: Pics about Space)

Estudos sobre buracos negros são muito complexos. Mesmo após décadas, físicos e astrônomos ainda discutem sobre suas propriedades. Segundo Thaisa Bergmann, buracos negros “são concentrações de matéria dentro de um raio tal que, ao se calcular a velocidade de escape deste raio, ela fica igual à velocidade da luz”.

A velocidade de escape é a velocidade necessária para um objeto escapar do campo gravitacional de um determinado corpo. Quanto maior for a força gravitacional desse corpo, maior seria a velocidade para escapar de sua superfície. A região limite do buraco negro é chamada de Horizonte de Eventos, em que a velocidade de escape é igual à velocidade da luz. De acordo com a Teoria da Relatividade de Einstein, nada supera a velocidade da luz. “Não sai nenhuma informação de dentro deste raio, nem a luz, e por isto se chama de buraco negro”, afirma a astrofísica.

Buracos Negros Estelares

Resultam da explosão de uma estrela supernova. “Estrelas com massas maiores do que 10x a do Sol terminam sua vida numa grande explosão, onde o caroço implode dando origem a um buraco negro”, explica Bergmann. Quando uma estrela entra em colapso, ela implode e sua força gravitacional aumenta. Isso significa que a velocidade de escape se torna cada vez maior. Ao engolir mais matéria, o buraco negro se torna mais massivo, e seu Horizonte de Eventos cresce.

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Imagem do Buraco Negro Supermassivo no centro da Via Láctea tirada pelo Observatório Chandra X-ray. (Foto: NASA/CXC/MIT/F.K. Baganoff et al)

Buracos Negros Supermassivos

Segundo Bergmann, os buracos negros supermassivo que habitam o centro das galáxias, possuem massas da ordem de milhões a bilhões de vezes a massa do sol. “Acredita-se que eles se formaram no início do Universo, há cerca de 12 bilhões de anos”, explica.

A teoria da existência de buracos negros supermassivos no centro de galáxias foi proposta pelo astrônomo Martin Rees em 1974. As provas só vieram com o Telescópio Espacial Hubble, que detectou a presença de um buraco negro supermassivo no centro da Via Láctea.

Supermassive and super-hungry

Galáxia Espiral NGC 4845 localizada há 65 milhões de anos-luz na constelação de Virgem. (Foto: Telescópio Espacial Hubble/NASA)

“Quando consideramos a evolução conjunta dos buracos negros e das galáxias, temos que considerar o fato de que, quando a matéria é capturada por um buraco negro supermassivo, há também ejeções de matéria e energia, o que acabam influenciando o crescimento das galáxias, pois empurram parte da matéria que se juntaria à galáxia, fazendo-a crescer, para longe, impedindo que as galáxias cresçam muito”, esclarece Bergmann.

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