Tarifa Zero em São Paulo ainda parece ser sonho distante

Os protestos a favor da tarifa zero foram reprimidos violentamente e terminaram sem uma solução

Por Thais Viana

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Manifestantes continuam se movimentando por tarifas mais justas (Foto: Viatrolebus)

A cidade de São Paulo foi tomada por protestos que acabaram reprimidos de forma violenta pela polícia nas últimas semanas. O motivo é o aumento da tarifa do ônibus, metrô e trem da cidade. Desde o dia 9 de janeiro passaram de R$3,50 para R$3,80.

O Movimento Passe Livre (MPL) que apoia a Tarifa Zero convocou os atos com o intuito de promover paralisações das principais vias do município para sensibilizar a prefeitura e o governo e chama-los para um diálogo com a população.

A principal alegação para o aumento feita pelo prefeito Fernando Haddad e o governador Geraldo Alckmin é a crise. Além disso, o reajuste de 8,57% está abaixo da inflação de 10,49%, segundo a tabela da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

O MPL em sua carta convocatória para os atos afirmou que é a população que tem arcado com as perdas nos ganhos dos empresários e que mais uma vez a crise é desculpa para garantir que eles continuem ganhando mais ainda.

Em entrevista coletiva no dia 21 de janeiro, o prefeito comparou a isenção do valor da passagem a uma viagem à Disney. Ainda afirmou que já concedeu passe livre paras os estudantes do ensino médio e fundamental. Segundo ele, o valor de 700 milhões investidos por ano na ação é o suficiente para construir 20 Centros Educacionais Unificados (CEUs).

O MPL apresenta em seu portal uma proposta para tornar a Tarifa Zero viável: “Deverá ser feita através de um Fundo de Transportes, que utilizará recursos arrecadados em escala progressiva, ou seja: quem pode mais paga mais, quem pode menos paga menos e quem não pode, não paga. Por exemplo: o IPTU de bancos, grandes empreendimentos, mansões, hotéis, resorts, shoppings etc., será aumentado proporcionalmente, para que os setores mais ricos das cidades contribuam de maneira adequada, distribuindo renda e garantindo a existência de um sistema de transportes verdadeiramente público, gratuito e de qualidade, acessível a toda a população, sem exclusão social. ”

Na mesma coletiva de imprensa o prefeito rebateu essa possibilidade de usar o IPTU da cidade, “passe livre para todo mundo custa todo o IPTU da cidade. Eu precisaria pegar todo o IPTU da cidade, tirar da Educação, tirar da saúde, tirar da cultura”.

A estudante paulistana Julia Nakamura acompanha os protestos de perto e afirma ser a favor do passe livre, mas acha inviável em São Paulo. “Acredito que ter passe livre seria bom para todo mundo, mas acho que isso é aplicável apenas para cidades pequenas, como em Agudos que tem 20 mil habitantes. Em São Paulo não sei se haveria dinheiro suficiente. O interessante seria ao menos baixar o valor”.

Após sete protestos o MPL encerrou seu ciclo de atos na quinta-feira 29/01 sem terem sidos recebidos pelo prefeito e o governador com uma proposta para a população.

 

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