Música aos quatros ventos

Chegando ao 15º ano, Banda Sinfônica de Bauru busca alcançar pessoas

Leonardo Del Sant

Tornar a cidade mais saudável. Assim é pensada a Banda Sinfônica de Bauru, ativa desde 2002, com apoio da secretaria de cultura da cidade. Depois de vários anos, concertos e mudanças, a filosofia ainda é a mesma.

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Levar cultura aos bauruenses é a principal meta da Banda. (Foto: Leonardo Del Sant)

O projeto contava com a regência e coordenação de Roberto Vergílio Soares até 2011, quando ele foi transferido para a secretaria de educação. A partir daí, André de Souza Pinto, até então chefe de naipe dos trompetes da banda assumiu o cargo. No mesmo ano se formou na Universidade do Sagrado Coração em Educação Musical.

André era também professor dos trompetes da Banda e foi aluno do projeto desde o início. Sua relação com o instrumento começa aos nove anos, quando passa a estudar música e suas teorias, integrando a banda marcial do SENAI em Bauru posteriormente. Para ele, a cultura é o que mantém a cidade funcionando. “Para uma cidade ser saudável há a necessidade da cultura ser de qualidade e ativa. A banda e orquestra municipal vêm de encontro a isso. Temos visto nestes últimos dez anos uma crescente no que tange a qualidade da música feita por toda a cidade. Isso revela que culturalmente a cidade cresce e se torna cada vez mais saudável”.

O repertório da Banda é bastante variado e eclético, contando com músicas clássicas, populares e eruditas, passando também por trilhas de filmes e composições folclóricas. Já tocou desde sinfonias completas até trilhas de filmes como “Piratas do Caribee músicas populares como “Aquarela do Brasil” e “Carinhoso”.

Devanildo Balmant, regente do projeto Guri de Bauru e professor da Banda, detalha como é composto o repertório. “A Banda tem muita flexibilidade, desde clássico, barroco até música medieval, até músicas mais contemporâneas, além de abrir o leque para que possa ser feito música mais popular e isso é muito legal da formação de Banda Sinfônica. E o André deixa bem clara a proposta, como fazer certos concertos pra temas de filmes, porque é a música do século, é muito forte. Além de atingir o público e tocar as músicas que estão mais próximas deles, a gente também consegue trazer pra realidade da banda”.

Inscrições e aulas sem custo

O projeto é importante em sua atuação social na cidade. O curso preparatório da Banda conta com alunos de 11 a 15 anos, sem conhecimento musical. Lá eles têm aulas de teoria e prática no instrumento duas vezes por semana. Após o curso, podem concorrer a vagas como bolsistas em um dos grupos e o processo seletivo não tem custo nenhum, além de ser aberto duas vezes no ano. As vagas desse ano serão abertas na primeira semana de fevereiro, sendo 50 oferecidas de imediato e mais 30 para alunos do ano passado que continuam normalmente, o que dá um total de 80 alunos divididos em duas turmas.

Formar cidadãos é uma parte fundamental no planejamento. “Quanto aos alunos, vemos que a música e a participação no projeto mudam suas vidas. Não só na qualidade das músicas consumidas por eles, mas também quanto a disciplina necessária para tocarem como tocam e fazerem música. Essa disciplina e dedicação eles levam para toda a vida, mesmo se não seguirem carreira como músicos”, afirma André.

“Os históricos dos nossos alunos são muito bonitos, passamos de uma década e nunca tivemos problemas com os jovens, em relação a drogas, violência”. Pontua Devanildo.

Gabriela Duarte, que é integrante da Banda, conta como o projeto o ajudou na sua formação de caráter. “É um aprendizado e um prazer muito grande. A gente evolui muito aqui, não só como aluno, mas também como ser humano. E como faço parte da comunicação, eu pude crescer tanto musicalmente como membro, mas também profissionalmente”.

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Gabriela Duarte é saxofonista e relações públicas do projeto. (Foto: Leonardo Del Sant)

Diferença entre a Orquestra e a Banda Sinfônica de Bauru

A formação principal da Banda conta com 50 músicos bolsistas mais alguns voluntários e profissionais da Orquestra de Bauru, chegando próximo ao número de 60 músicos. O que diferencia a Banda Sinfônica da Orquestra de Bauru é a formação dela, dos instrumentos que as compõem e as suas influências. Na Banda há uma predominância de sopros, já na Orquestra, as cordas são maioria. A Banda conta com instrumentos de percussão e contrabaixo, além de duas famílias de sopro, divididas em metais e madeiras. Os metais contam com trompete, trombone, trompa, tuba e eufônio, enquanto as madeiras contém saxofone, flauta, clarinete, fagote e oboé.

Objetivo: Grupo sinfônico profissional em Bauru

André vê como próximo passo, conseguir um grupo sinfônico profissional para a cidade. Para isso, ele pontua algumas necessidades. “Mover os recursos financeiros para manter um grupo sinfônico, com salário razoável e que pudesse atrair músicos profissionais de fora e da própria cidade, que estão se profissionalizando, para que pudessem ter o mínimo de recursos, ou seja, um certo movimento financeiro. Isso viria com uma união política e da sociedade civil. Um primeiro passo”.

A partir daí, viria montagem e aprimoramento da estrutura já existente. “Com esse aporte financeiro garantido, começaria então a montagem do grupo, a seleção dos músicos, quem coordenaria, um regente, um coordenador artístico, também um conselho dentro da orquestra. Toda uma estruturação que seria necessária para manter um grupo desse”, conclui André.

Outro desejo de André é fazer com que, tanto a Banda, quanto a Orquestra de Bauru alcancem mais pessoas. “Para nós da Banda e da Orquestra Sinfônica, o que nós mais precisamos hoje é do apoio da sociedade, ajuda da imprensa, para que possamos divulgar nosso trabalho, alcançando mais pessoas da cidade e da região, fortalecendo nossa imagem perante a sociedade e ao nosso mantenedor, que é a prefeitura, atingindo mais pessoas, levando música, cultura”.

De la clase a la cuenta

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“Toda a atmosfera contribuiu para que a gente fizesse uma grande apresentação” – Devanildo Balmant (Foto: Leonardo Del Sant)

Enquanto o grupo sinfônico não acontece, a Banda retomou suas atividades e apresentações, começando pelo concerto realizado na Unesp no evento “De la clase a la cuenta”, juntamente com a Naumteria. O evento ocorreu no anfiteatro Guilhermão, no dia 28 de janeiro. Essa primeira atividade foi regida pelo maestro Devanildo Balmant, que contou mais sobre a apresentação. “O ponto alto foi tocando “Aquarela”. Tem que dar os parabéns para os meninos da Naumteria, fazem um trabalho muito bonito, não é sempre que se tem uma percussão de samba-enredo. Foi uma iniciativa muito boa. Hoje foi um dia especial, toda a atmosfera contribuiu pra que a gente fizesse uma brilhante apresentação”.

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Banda Sinfônica toca “Aquarela do Brasil” junto com Naumteria (Foto: Leonardo Del Sant)

Essa emoção é fruto de muita preparação, como conclui Gabriela. “Nos preparamos muito, estudamos pra valer, temos ensaio diário das 14h às 18h. Então, chegar numa apresentação e ter o reconhecimento de todo o nosso trabalho é essencial”. A abertura oficial da temporada da Banda será realizada em abril. As aulas acontecem no Automóvel Clube de Bauru, localizado na Praça Rui Barbosa 1-23, no centro.

 

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