Ocupações: a luta dos estudantes está apenas no começo

Cerca de um mês depois da mobilização, estudantes continuam lutando por melhoras na educação

Por Thamires Motta

Estudantes acampam na escola Stela Machado (Foto: Douglas Reis/JCnet)

Estudantes acampam na escola Stela Machado (Foto: Douglas Reis/JCnet)

Em 10 de novembro de 2015, a mobilização de estudantes secundaristas chamou a atenção do país. Centenas de alunos ocuparam suas escolas como uma forma de protesto contra o projeto de reorganização escolar imposta pelo governador Geraldo Alckmin, que pretendia unir os alunos em ciclos únicos por idade, culminando no fechamento de 93 escolas e a transferência de 311 mil alunos pelo Estado de São Paulo.

Após 55 dias e 200 escolas ocupadas, o governo recuou com o projeto e o suspendeu por tempo indeterminado, chegando até mesmo a demitir o secretário de educação, Herman Voorwald. Mesmo assim, no início do mês de janeiro foi publicada uma resolução que permite a ampliação do número de alunos em sala na rede estadual, aumentando em 10% os parâmetros de referência. Para o sindicato dos professores, a Apeoesp, a medida é mais uma tática para reduzir os gastos na educação.

A professora de sociologia Tathiane Nunes foi uma das apoiadoras da ocupação na escola Stela Machado, na Vila Pacífico, em Bauru. Segundo ela, os alunos secundaristas representam um “novo movimento estudantil”. A estudante Yara Maria, uma das protagonistas da ocupação na mesma escola, conta que o processo se iniciou por meio de reuniões entre os alunos. “Começamos dentro de cada escola, se organizando, montando reuniões e pautas. Posteriormente tivemos a ideia da ocupação baseada no exemplo das ocupações em são paulo”, conta.

Com relação às manifestações que aconteceram na capital e em Bauru, Yara explica: “As semelhanças daqui com a capital foi ter o mesmo poder de luta, os mesmos argumentos, lutando pela mesma coisa que é a melhoria da educação”. No fim, uma “vitória parcial” foi alcançada, como definiu a professora Tathiane. A suspensão da reorganização escolar foi alcançada pelo poder de luta dos estudantes, mas segundo ela, “isso vai dar ainda mais fôlego para que eles continuem conseguindo ainda mais conquistas e chegando mais longe para exigir uma educação de qualidade”.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s