Ir, partir ou vir: a Europa e seus refugiados

Por Tamiris Volcean

O contato entre o Oriente Médio e a Europa sempre foi conduzido pela lógica imperialista e colonialista. O advento do capitalismo industrial levou as potências do Velho Continente a buscar as ricas reservas de petróleo, até então pouco utilizadas e comandadas pelo decadente Império Otomano por volta do começo do século XX.

Para o professor da FACAMP James Onning, os imigrantes deixaram de ser novidade na Europa a partir de 1950. Se os imigrantes não são novidade, por que os refugiados são? James responde: “Não são! Refugiados foram vistos em grande quantidade na Europa durante os conflitos nos Bálcãs. Ora, esses “novos refugiados” tinham, então, que buscar a Europa. É o lugar mais próximo com qualidade de vida e oportunidades para uma nova vida. E o lugar onde os caminhos já estão relativamente desenhados”.

Kosovar refugees fleeing their homeland. [Blace area, The former Yugoslav Republic of Macedonia]

Refugiados europeus em busca de uma melhor condição de vida (Foto: Reprodução/United Nations Photo)

O muro interno da Europa foi derrubado no início dos anos de 1990 com a queda do Muro de Berlim e a expansão do processo de unificação capitalista para o leste europeu. Porém, novos “muros” externos foram fortificados. Sem levar em conta as ligações históricas, nem mesmo questões humanitárias, a União Europeia fecha cada vez mais o acesso para as suas terras.

Em meados dos anos 2000, o bloco europeu criou a FRONTEX, uma agência de controle das fronteiras externas. Imigrantes ilegais começaram a ser tratados como criminosos. Refugiados vindos do foco do conflito mais assustador dos últimos anos, passaram a ser temidos. “O mundo não europeu sabe que a rejeição aos refugiados é fruto do entrelaçamento de grandes motivações: xenofobia, economia e terrorismo”, completa James.

Alexandre Bastos é professor da Universidade do Sagrado Coração e diz estar preocupado com esse movimento no continente europeu: “Sobre a Europa, me preocupa, pois da última vez que tivemos uma migração nesta proporção fora no final da primeira guerra, acabou gerando um sentimento ultranacionalista, dando margens para o surgimento de ditaduras e o despertar do Nazismo e Fascismo. Hoje, na Alemanha e França, existe um sentimento de xenofobia que tem despertado violência policial e segregação contra imigrantes”.

É triste ver como se trancam portas quando na soleira delas crianças esfomeadas e mães desesperadas pedem ajuda. “Sim, a Europa e o mundo têm obrigação moral de receber os refugiados. Somos ou não somos um mundo globalizado?”, finaliza James.

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