Zona do Euro e Brasil: a crise de lá e a crise daqui

Por Tamiris Volcean

Uma grande crise econômica assolou alguns países da Zona do Euro em 2008. Tudo começou nos Estados Unidos e atingiu economias dependentes de capital especulativo. Aumento na taxa de desemprego, aumento da dívida externa dos países atingidos e paralisação econômica como um todo foram as principais consequências desse ano sombrio que até hoje ainda deixa resquícios na economia europeia. Esses fatores são também conhecidos da população brasileira, que sente no bolso os efeitos da crise econômica atual.

Qualquer crise no capitalismo tem muitas semelhanças e sempre vai estar ligada ao descompasso que existe entre o capital produtivo e o capital especulativo. Por isso, é natural compararmos a crise da Zona do Euro com a crise no Brasil. Maximiliano Martin Vicente é docente da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” e leciona a disciplina de Realidade Socioeconômica no Brasil. Quando questionado sobre as principais diferenças entre a crise de lá e a crise daqui, responde: “As peculiaridades de cada país entram em jogo. No caso do Brasil, ela começa a ser vista em fevereiro de 2014, quando o Banco Central eleva a taxa de juros Selic e o Estado retira os subsídios ao capital produtivo. O desamparo em relação ao capital produtivo originou a crise do financiamento da produção e com isso o capital especulativo tomou conta do país”.

O pesquisador ainda atenta-se para algumas peculiaridades exclusivas de nosso país, as quais tornam o desenrolar da crise distinto daquele ocorrido na Zona do Euro. “É igual ao do resto do mundo? Sim e não. Sim, porque o capital financeiro lucra como nunca no nosso país. Não, porque o Estado não tem como se recuperar por não ter caixa em função das isenções fiscais feitas antes da chegada da crise. Ou seja, a nossa é estrutural e sem possibilidades de ser solucionado, a não ser penando cada vez mais à população com o aumento dos impostos.”

Para a dona de casa Soraia Alves, é quase insustentável manter a casa própria e o carro com os atuais valores dos impostos. “A maior parte do meu salário é destinada a pagar impostos. Sei que a crise é uma coisa globalizada, mas no Brasil a população nunca é poupada das consequências”. Além da insatisfação relacionada aos impostos, Soraia também diz estar preocupada com as contas mensais.

A situação do Brasil é, portanto, bem complexa devido à ausência de capital. Mas, segundo Max, a crise é universal, “Uma tem tudo a ver com a outra, pois dependemos das exportações e importações, que podem afetar totalmente o futuro da nossa economia”.

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