Pirataria inofensiva?

Pirataria de produções audiovisuais e o universo streaming

Por Paula Nishi

Em novembro de 2015, milhares de internautas foram surpreendidos com a prisão do casal administrador do site Mega Filmes HD. Marcos e Thalita Cardoso hospedavam filmes, séries e desenhos diversos através do serviço via streaming. Os usuários do site não precisavam fazer o download de nenhum arquivo, pois o conteúdo era todo disponibilizado on-line.

Na operação chamada de ”Barba Negra”, a Polícia Federal acusou o casal por crime de violação de direito autoral (pirataria) e associação criminosa. Marcos e Thalita alegam que não sabiam que tais práticas eram consideradas crimes no Brasil. Através de publicidade de anúncios do site, o casal chegou a movimentar cerca de R$ 70 mil por mês, com as 60 milhões de visualizações mensais.

Na era do mundo digital, no qual locadoras de filmes quase já não existem mais, sites como o Mega Filmes HD eram a ”salvação” daqueles que não podiam pagar por um serviço como o oferecido pela Netflix. Também via streaming, a Netflix é uma plataforma que também disponibiliza filmes, séries, shows e até mesmo novelas, sem precisar de download, mas de forma paga.

A hospedagem de conteúdo através de sites de forma gratuita começou a fazer parte do cotidiano dos internautas. A prática, apesar de ser classificada como pirataria, parece ter sido normalizada a ponto de milhares de internautas assinarem um abaixo assinado através da plataforma Avaaz.org, a fim de reivindicar a voltar do Mega Filmes HD ao ar. Por meio da petição, muitas pessoas mostraram sua indignação pela retirada do site. Para Cibele Souza ”o site recebia dinheiro pelos anúncios, mas não era cobrado nada das pessoas que apenas estavam ali para um momento de descontração.”

Mas se pirataria de produções audiovisuais através de hospedagem em sites caiu mesmo no gosto do público, até onde essa prática interferem nos conteúdos da televisão e cinema? Hoje, a alcance de bilheteria em diversas produções caiu consideravelmente, uma vez que o público tem cada vez mais migrado para o universo online. A tendência, que não parece promissora para o universo cinematográfico e televiso, é o mundo online ocupar cada vez mais espaço e ganhar popularidade entre o público. A adaptação dessas produções para a Era Digital pode ser uma opção, mas será justo o incentivo à pirataria, ainda que esta pareça ”inofensiva”?

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