Petróleo brasileiro e o caos

A Petrobras, símbolo da riqueza nacional, hoje, carrega a saga de uma empresa imersa em corrupção e desvalorização

Por Rafael de Paula

De um lado, a maior empresa do Brasil e da América Latina, segunda maior empresa petrolífera do continente americano e quinta maior do mundo que, em amplo crescimento, graças ao pré-sal tende a se tornar uma das maiores companhias do mundo.

Do outro, uma companhia mergulhada em um mar de lama quase sem fim. Ações que despencam todos os dias, processos na justiça brasileira e norte-americana. Um túnel de escape de propinas para campanhas eleitorais de todo o país. São duas empresas completamente diferentes? Nada disso. Ambas as descrições se referem à Petrobras, só que cada perfil descrito é dividido por um intervalo de três anos.

Se, em 2013, investir na petrolífera brasileira era basicamente sinônimo de lucro, hoje as coisas não são bem assim. Com a Operação Lava Jato escancarando casos de corrupção na estatal, e também com a queda acentuada no preço do petróleo no mercado internacional, os preços dos papéis da empresa seguem em queda livre. Até o fechamento dessa matéria, em 25 de abril de 2016, as ações registravam R$ 9,52 na BOVESPA, isto depois de chegar a R$ 23,35 em 2014. Apenas para efeito de comparação, a Exxon Mobil estava valendo no mesmo momento R$ 76,75.

Empresa vive um misto de caos político e econômico. (Ilustração: reprodução)

Empresa vive um misto de caos político-econômico (Ilustração: reprodução)

Crise política e econômica

Para o economista Reinaldo Cafeo, o que acontece na Petrobras é um misto de caos político e fatores econômicos externos. “Existe a crise no Oriente Médio, os EUA que são nossos maiores compradores também vêm investindo em outras fontes energéticas, mas a priori o que explica mais fortemente a queda nas ações da Petrobras é a crise política. Como o mercado vai se sentir seguro em investir em uma empresa que desvia bilhões de reais?”, questiona Cafeo.

Mesmo assim, segundo o economista, a tendência é as coisas melhorarem, mas isto é algo que não acontecerá a curto prazo. “Vai melhorar sim. É tudo uma questão de tempo. O que é essencial é que esta crise política se resolva para darmos ao mercado uma resposta. Acredito que em uns dois ou três anos, a situação esteja mais ou menos normalizada. Mas tudo vai depender, é claro, do desenrolar dos fatos”, finaliza o economista.

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