Clima de intolerância política atinge também as crianças

Nas escolas, os pequenos estão vivendo situações de desrespeito às diferenças

O discurso de ódio chegou às crianças (Reprodução Facebook)

O discurso de ódio chegou às crianças (Reprodução Facebook)

Por Bárbara Costa

O país está dividido. As diferenças ideológicas e políticas já são motivo de discussões e desentendimentos até mesmo dentro de famílias. Entre esse clima de intolerância e discurso de ódio, provenientes de todos os lados, estão as crianças. Os pequenos ouvem o que os pais falam, o que a mídia propaga, o que os professores ensinam e acabam reproduzindo o que é captado.

O resultado dessa influência já pode ser visto em alguns casos que foram divulgados na imprensa: em São Paulo, um menino de 9 anos foi xingado e ameaçado por seus colegas de escola devido ao fato de trajar uma camiseta vermelha. Um pai publicou em uma rede social, orgulhoso, o desenho que seu filho criou na aula de artes – Dilma e Lula, acompanhados por mensagens pedindo a morte de ambos.

Situações como essas podem ser evitadas pelo comportamento dos pais. De acordo com o Prof. Dr. e psicólogo Angelo Abrantes, o período entre 3 e 6 anos merece atenção, porque nessa fase “as atitudes dos adultos em relação a realidade e a vida estão sendo observadas pela criança, portanto, atitudes de ódio e preconceito tendem a ser imitados em brincadeiras e mesmo que elas não possam julgar ou reconhecer as consequências sociais do que reproduzem, podemos afirmar que o ódio e o preconceito e as atitudes relacionadas a essa posição vão de certa maneira se naturalizando”.

A criança não precisa ser isolada do contexto político atual. Ela provavelmente fará perguntas sobre o assunto e os pais devem dar explicações simples, mostrando que sua resposta é um ponto de vista e não uma verdade absoluta. Nessa fase, os pais podem aproveitar para ensinar que o pensamento do outro também tem valor, enfatizando principalmente a questão do respeito. Para Angelo, as escolas devem ajudar nessa tarefa: “Formar pessoas que se preocupem com o bem comum e se organizem pela cooperação e respeito à liberdade significa um posicionamento político que se contrapõe à formação e aos princípios do individualismo egoísta”.

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