Eleições gerais surgem como uma opção para superar a crise política e representativa

Defendida por partidos de esquerda, de centro e agora até pelo Governo, o que as eleições gerais podem significar?

Ato 18 de setembro do PSTU

Ato do PSTU (Foto: Thamires Motta)

Por Thamires Motta

“Fora todos! Fora todos! Fora todos!”, é o grito que se ouve em forma de canto durante o 1º de Maio, dia mundial do trabalhador, enquanto caminham pela Avenida Paulista diversos movimentos sociais encabeçados principalmente pelo PSTU, Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados. No ato, exibem faixas que exigem a retirada de “todos eles” do poder: Dilma Rousseff, o vice Michel Temer, passando por Eduardo Cunha e também Renan Calheiros.

A principal reivindicação do PSTU, partido de extrema-esquerda, na atual conjuntura é a criação de eleições gerais. “Desse Congresso nacional não podemos esperar nada, nós trabalhadores temos que tomar as ruas, fazer uma greve geral para colocar todos para fora”, explica Zé Maria, presidente do partido em um comício. A ideia, que pode até ter passado como absurda para alguns, agora já começa a ser cogitada pelo próprio PT.

“Se o impeachment de fato for decretado, passar pelo Senado, nós vamos defender eleições gerais porque não reconhecemos no vice-presidente condições morais e jurídicas para vir a presidir o Brasil”, defendeu o deputado Wadih Damous (PT-RJ). Para o governo, a efetuação se daria por meio de uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) com apoio popular, que recolheria milhares de assinaturas.

Igor Fernandes, militante do PSOL de Bauru, também é favorável a efetivação de eleições gerais: “quem defende as eleições gerais está realmente defendendo a democracia, porque as eleições são a radicalização dessa democracia, que tem um monte de problemas, mas num momento de crise, o melhor a fazer é deixar que o povo decida”, diz.

Além do PSOL e do PSTU, partidos declaradamente de esquerda, a Rede Sustentabilidade também vem defendendo as eleições gerais. Em entrevista coletiva, os porta-vozes nacionais do partido, Marina Silva e José Fávaro Barbosa reforçaram que o melhor caminho é a cassação da chapa Dilma/Temer.

A solução, portanto, perpassa uma crise política ainda mais profunda do que a que os partidos têm polarizado: o fato de que o povo não se enxerga no pleito da democracia. Também, pudera. No Brasil mais de 50% da população é negra e parda, enquanto na Câmara dos Deputados a proporção fica em 8,9%. Existem 896,9 mil indígenas em todo o território nacional, e desses, 0,33% estão na Câmara. Mulheres também são mais da metade da nossa população, 51%, e no Congresso, apenas 10% são mulheres. A crise, tão amplamente falada por aí, é bem mais profunda do que podemos imaginar.

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