Impeachment: golpe ou democracia?

Movimentos sociais discordam sobre a admissibilidade do processo como saída para a crise

Ato pelo Impeachment em Bauru - 2015

Movimentos sociais se manifestam contra o impeachment. (Foto: Thamires Motta)

Por Thamires Motta

Domingo, 17 de abril de 2016. Os ânimos estão acirrados, numa espécie de tensão que parece cortar as gigantescas paredes da Câmara dos Deputados. Hoje, 513 deputados passarão o resto do dia proferindo suas opiniões sobre a admissibilidade ou não do impeachment da presidenta Dilma Rousseff.

Nas ruas de Bauru, uma imensa televisão na avenida Getúlio Vargas – área nobre da cidade e que abrigou diversos movimentos favoráveis ao impeachment -, revela ao vivo o “placar” da Câmara. Do outro lado da cidade, no Centro, alguns grupos se juntam também para assistir à votação. Nesse oposto, o clima tem uma mistura de receio do futuro com esperança de que a denúncia não siga adiante.

Segundo a Constituição, para a admissibilidade de um pedido de impeachment o/a Presidente precisa ter cometido um crime de responsabilidade. O comerciante Paulo Ladeira, membro do Movimento Juventude Bauruense, acredita que a cadeira merece ser deposta “pois a Presidente fez 6 decretos de créditos suplementares assinados em 2015 sem autorização do Legislativo, além de ter atrasado, de forma deliberada, o repasse de recursos para bancos federais e para o FGTS, para executar despesas do Governo feitas para equilibrar as contas públicas”, afirma.

O deputado federal Bebeto Galvão (PSB-BA), no entanto, comentou no momento de seu voto: “Se a Dilma perder o mandato por pedaladas fiscais, cassa todos os deputados”, concluiu. Em fato, antecessores de Dilma também cometeram pedaladas fiscais e não tiveram seu cargo colocado na berlinda por causa disso, como é o caso de Fernando Henrique Cardoso, Geraldo Alckmin e Antonio Anastasia, relator do impeachment.

Por esse outro lado, Renato Bueno, que faz parte do grupo Biblioteca Móvel Quinto Elemento e da Casa do Hip Hop de Bauru, comenta que essas práticas são recorrentes na gestão pública brasileira. “Penso que o que está em curso é um golpe de estado, porém, com outra roupagem. O que está claro são os interesses que firmam o pedido de impedimento da presidenta Dilma”, afirma.

Com o impedimento de Dilma Rousseff, a liderança do país fica a cargo do vice, Michel Temer. O PMDBista já se adiantou e lançou uma cartilha intitulada “ponte para o futuro”, em que o partido comenta alguns dos princípios que serão utilizados para driblar a crise política e econômica. Entre eles, já se desenha o fim da aposentadoria por tempo de contribuição e a desvinculação do valor dos benefícios assistenciais do salário mínimo, duros golpes para os trabalhadores brasileiros. Ao que tudo indica, a eterna luta contra a corrupção no país ainda precisará de longos capítulos até que seja possível perceber se o impeachment é ou não a melhor saída para a crise.

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