Panama Papers: mais lama na classe política

mossack

Fonte: Reinhard Krause/ Reuters

Escândalo internacional revelou nomes de várias personalidades do mundo todo envolvidos com contas não declaradas em paraísos fiscais

Por Lucas Alonso

Como que para tornar ainda mais acalorada a discussão acerca da corrupção, foram divulgados recentemente mais de onze milhões de arquivos do escritório de advocacia panamenho Mossack Fonseca. Os documentos vazados ficaram conhecidos como Panama Papers e revelam um esquema de criação de offshores e empresas de fachada mundo afora que serviam de paraíso fiscal para centenas de pessoas em diversos países. A lista envolve desde celebridades como o ator Jackie Chan, até jogadores de futebol, como Leonel Messi, passando por diversos líderes e ex-líderes políticos, inclusive brasileiros.

Um nome em especial alcançou maior notoriedade nos veículos de imprensa brasileiros, não apenas pelo alto escalão do seu cargo político, mas principalmente por sua articulação como o “líder” de um processo que, em tese, pede o fim da corrupção. Eduardo Cunha (PMDB –RJ) é o atual presidente da Câmara dos Deputados e, em breve, pode se tornar Vice-Presidente da República, caso o processo de impeachment da atual presidente Dilma Rousseff seja aprovado pelo Senado Federal.

Eduardo Seino é mestrando em Ciência Política pela Universidade de São Paulo e vê nesse caso mais um exemplo de uma possível falsa moralidade na classe política brasileira. Segundo ele, “a atual formação do cenário político nacional favorece o mascaramento de esquemas como o Panama Papers, já que os nossos ‘representantes’ se veem blindados não pela opinião pública, mas pela própria Justiça brasileira.”

Para o professor Beto Cavallari, esse e tantos outros casos de corrupção que chegam todos os dias ao conhecimento dos brasileiros são uma “vergonha para a democracia do país”. A votação na Câmara dos Deputados que decidiu pela admissibilidade do processo de impeachment da presidente Dilma seria mais um exemplo disso. “Poucas vezes a opinião pública pôde perceber quão incoerentes são os argumentos dos que dizem lutar contra a corrupção e quão grave é a atual crise de representatividade dos eleitores brasileiros”, finaliza Cavallari.

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