Bioenergia no Brasil

Da cana-de-açúcar ao álcool de segunda geração

Gabriela Arroyo

Biomassa é o nome dado para a matéria orgânica utilizada para a produção de energia. A bioenergia é a energia produzida através de processos biológicos, no qual se utiliza a biomassa. Um exemplo de biomassa é o bagaço da cana de açúcar e um exemplo de bioenergia é o bioetanol.

Bioetanol ou etanol? Segundo o professor Dr. Gustavo Henrique Gravatim Costa, o termo etanol também pode se referir ao álcool produzido a partir do petróleo, enquanto o termo bioetanol, necessariamente, faz referência ao combustível produzido a partir de uma matéria orgânica.

O álcool produzido a partir da cana de açúcar se apresenta como um combustível alternativo no Brasil desde 1970, quando o Programa Nacional do Álcool (Pro-Álcool) foi implantado pelo governo, estimulando os consumidores a trocarem a gasolina pelo álcool. Como consequência, estimulava-se também a produção interna de cana de açúcar.

Especialista em bioenergia e no setor sucroalcooleiro, o professor Gustavo Henrique explica as alterações sofridas pelas usinas. Primeiro, a partir da década de 70, as usinas produtoras de açúcar se adaptaram para produzir combustível. Nos anos 2000, elas passaram por uma nova mudança, agora, para produzir energia a partir da queima do bagaço da cana.

 Apesar da queima, tal energia é considerada renovável, considera o professor. Pois, durante o processo de crescimento da cana de açúcar, a planta absorve gás carbônico da atmosfera, estocando esse carbono em forma de glicose. Dessa forma, quando a cana vai para a usina e ocorre a queima do bagaço, o gás carbônico, ao voltar para a atmosfera, é o mesmo que a planta havia retirado dela, formando-se um ciclo.

Para Gravatim, esse balanço ainda pode ser considerado positivo, pois “em torno de 25% desse carbono ficou na sacarose, sendo cristalizado na produção do açúcar. Assim, aproximadamente 75% do gás carbônico inicial voltam para a atmosfera com a produção do etanol ou da energia”. Segundo relatório da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), em 2005 o Brasil produzia 7,3% da bioenergia mundial.

Quanto à produção de energia no futuro, o professor aponta duas novas áreas de pesquisa: o álcool de sorgo sacarino e o de segunda geração. O sorgo sacarino é uma planta muito parecida com a cana de açúcar, “a diferença é o seu tempo de produção, demorando quatro meses do plantio até a colheita e não o período de um ano como é o da cana” esclarece Gravatim. Já o álcool de segunda geração é aquele produzido a partir da fibra da planta, a celulose. Para a produção desse tipo de combustível, poderia se utilizar resíduos como as folhas da cana e podas de árvores.

Cana

No Brasil, duas usinas produzem etanol de segunda geração utilizando a palha e o bagaço da cana de açúcar. |Foto: Gabriela Arroyo (2015)

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