Economia verde: conceito novo para problemas velhos

Discutido com maior intensidade nos últimos anos, segmento é novo e reforça a preocupação com o meio ambiente nas demandas econômicas

Por Gabriele Rodrigues Alves

Enquanto a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a RIO+20, em 2012, definia a agenda ambiental dos próximos anos, muito se falava sobre a economia verde e a necessidade dela se desenvolver cada vez mais em território brasileiro.

Embora a expressão ainda hoje não esteja bem definida, teve sua origem em 1987, com o relatório de Brundtland que atentava-se para a incompatibilidade entre sustentabilidade e padrões de produção e consumo, uma vez que esses últimos eram despreocupados com os impactos nos ecossistemas. Anos mais tarde, na ECO-92, e na própria RIO+20, esse novo segmento seria reconhecido. Mas afinal, detalhadamente, a que diz respeito à economia verde?

De acordo com a definição do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, o Pnuma trata-se de um conjunto de práticas que “resulta em melhoria do bem-estar humano e da igualdade social ao mesmo tempo em que reduz significativamente os riscos ambientais e a escassez ecológica”.

Considerando que os fatores associados à sustentabilidade eram marginalizados nas decisões econômicas, a economia verde surge como alternativa a essa postura. “A preocupação é produzir, mas não apenas isso. É produzir deixando condições para as nossas futuras gerações terem como realizar essa mesma atividade no futuro”, comenta Salete Rossini, coordenadora do curso de Ciências Econômicas do Instituto Toledo de Ensino (ITE), em Bauru (SP).

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Empresa DPaschoalⓇ orienta seus clientes a pouparem gastos com prática da economia verde durante o uso de combustíveis e pneus (veja as dicas) (Ilustração: Divulgação)

Três pilares da economia verde

Para concretizar seu propósito, a economia verde se apoia em três pilares fundamentais, orientadores dos produtores e consumidores: a economia de baixo carbono que faz uso cauteloso do componente; o uso de recursos naturais e o direcionamento para uma economia inclusiva e solidária. Paralelamente a isso, a economia verde é bem abrangente e alia o combate à insustentabilidade com o combate ao consumo e a desigualdade e, por isso, exerce não apenas uma preocupação ambiental, mas também social.

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Conceito de economia verde procura solucionar problemas de outros setores do desenvolvimento sustentável (Foto: Pixabay)

Na agricultura

Para o engenheiro agrônomo, Gabriel Vicente de Almeida, da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (CEAGESP), na agricultura, a preocupação com a sustentabilidade é crescente e irreversível, e há alguns exemplos de iniciativas no Brasil. “O primeiro exemplo é o Cadastro Ambiental Rural (CAR) que obrigará todos os produtores, com fiscalização via satélite, a adequar toda a propriedade às leis ambientais, incluindo aí, reserva, mata ciliar e áreas de preservação permanente”, afirma o engenheiro. Ele também ressalta que há grande destaque para os sistemas de integração Lavoura-Pecuária-Floresta que reintegra ao sistema milhões de pastagens degradadas e, certamente, retira a necessidade de desmatar novas áreas. Todas essas técnicas são baseadas no plantio direto. “No Estado de São Paulo, existe a colheita mecânica de cana crua. Nas lavouras perenes, como café e frutas, o manejo do mato e a eliminação do revolvimento do solo”, finaliza Gabriel.

Desafios

Para a economista Salete, as dificuldades na área, no entanto, são grandes. No interior paulista, mesmo com as produções relevantes da agropecuária (gado de corte, café e cana-de-açúcar), da produção de alimentos e bebidas, refino de petróleo e álcool, a conduta dos produtores é o que faz a diferença no momento da economia verde ser aplicada. “Os produtores não podem deixar de investir nas exigências da economia verde. As dificuldades são imensas, tanto de ordem financeira quanto cultural. Tudo isso leva tempo e dinheiro para mudar a mentalidade e o conhecimento dos indivíduos, pois só assim conseguiremos mudar nossa forma de produzir sem impactar nosso planeta”, comenta.

A boa notícia é que em 2014, no Índice Global de Economias Verdes, o Brasil ocupava a 18º posição entre 60 países avaliados para investimentos em economia verde e a abundância em recursos naturais pode ser um dos fatores que justificam a posição elogiada no ranking.

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