Pecuária Consciente

Desde 2013 O projeto Carne Sustentável, desenvolvido na região pantaneira, traz inovações para a criação de gado, social-econômico, o meio-ambiente mais sustentáveis.

gado

Imagem cedida pela EMBRAPA-Pantanal. Gado em convívio harmonioso com ecossistema local. Foto: Walfrido Tomás

Por Helena Ortega e Vandressa Veline

Uma pesquisa realizada em 2009 pela revista National Geographic Society e pela empresa GlobalScan, países emergentes foram considerados mais conscientes do meio ambiente do que os cidadãos de países desenvolvidos. A avaliação foi feita em 17 países. O Brasil ficou em segundo lugar, atrás apenas da Índia. Os Estados Unidos recebeu a última colocação da avaliação da Greendex.

No pantanal, uma nova técnica para o manejo do gado vem sendo desenvolvida e pode ser a solução para aqueles que gostam de carne bovina, e se preocupam com as questões socioambientais envolvidas no processo de produção do alimento.

O projeto Carne Sustentável do Pantanal vem sendo desenvolvido em associação com a Empresa de alimentos Korin, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária núcleo Pantanal (EMBRAPA-Pantanal) e a Associação Brasileira de Produtores Orgânicos (ABPO).

Sustentável é aquele sistema produtivo estável e que se insere de maneira equilibrada no ambiente onde é praticado, desta forma tende a ser o modelo mais eficiente pois torna-se importante ferramenta de desenvolvimento humano, opina o professor especialista de melhoramento e nutrição animal Luís Artur Loyola Chardulo, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da UNESP Botucatu.

Como funciona?

O pesquisador Urbano Abreu, líder do projeto de Pecuária Sustentável na Embrapa Pantanal, ressalta os pontos que devem ser seguidos pelos produtores da Carne Sustentável do Pantanal:

  1. Somente adubação orgânica de pastos;
  2. Uso de ureia misturado ao sal é proibido (a ureia é um derivado de petróleo e contamina o solo);
  3. Suplementação (ração) somente com alimentos de origem vegetal, sendo que 80% tem que ser orgânica;
  4. Tratamento veterinário restrito a fitoterápicos e homeopatia;
  5. Proibido o uso de fogo para manejo de pastagens;
  6. Vacinações oficiais são obrigatórias;
  7. Bem-estar animal precisa ser observado;
  8. Pecuaristas precisam seguir e respeitar leis trabalhistas;
  9. Pecuaristas precisam cumprir a legislação ambiente vigente no (Código Florestal).

Ainda de acordo com o pesquisador, a carne vem sendo desenvolvida desde 2013. E toda mudança apresenta desafios em sua implementação. O projeto ainda é bem recente. O apoio governamental esperado, como subsídios econômicos para a implementação em larga escala na região, ainda estão sendo avaliados. Urbano comenta sobre, “O mais importante é a garantia de preço, que compense os custos da certificação e do desenvolvimento do sistema na região. Pois apenas com o conhecimento, e os produtores bem informados é que se interessarão em dar continuidade e assim a produção da Carne Sustentável cresce”.

Sandra Aparecida Santos, pesquisadora em Produção Sustentável da Embrapa Pantanal, integrante do projeto, cita algumas adversidades encaradas para implementar esse novo método nas fazendas da região. Ela comenta que além dos desafios dos custos para a produção, a capacitação pode se tornar uma dificuldade da adoção deste método.

Método avaliativo

O projeto apresentou dificuldade em identificar, avaliar e monitorar o grau de sustentabilidade das fazendas que participam da Carne Sustentável devido à falta de ferramentas avaliativas. Então a EMBRAPA Pantanal desenvolveu uma ferramenta, chamado Fazenda Pantaneira Sustentável (FPS), que realiza diagnósticos em que se define indicadores de sustentabilidade.

Veja a seguir o quadro para entender um pouco mais sobre a FPS.

info

Para que a carne seja considerada sustentável, ela precisa ser sustentável no ciclo completo (cria, recria e engorda). Por exemplo, nas fazendas do Pantanal onde apenas são criados bezerros, o produtor deve se certificar que o animal será abatido em um sistema também sustentável. Esse processo, no caso das regiões pantaneiras, denomina-se produção integrada planície-planalto, uma vez que o animal é produzido na planície pantaneira e é recriado em regiões planálticas.

Mercado consumidor

Segundo Urbano, o Brasil tem capacidade produtiva para se tornar líder do mercado mundial, basta procurar formar parcerias com associações internacionais para alcançar os novos mercados. Ele ainda comenta que o tempo de retorno de investimento, no caso do Pantanal, leva de 3 a 4 anos de acordo com a gestão do negócio. Sandra acredita que o Brasil necessita buscar estratégias de marketing para valorizar o produto. Para ela a produção da carne sustentável, pode se tornar no futuro, uma exigência, principalmente para o mercado externo.

Grandes empresas dos ramos de alimentação e varejo, ao perceberem esse crescimento do nicho de mercado consciente, tem anunciado que farão compras exponenciais da carne sustentável. A Walmart Brasil em parceria com prefeitura de São Félix do Xingu (PA) e Tucumã (PA), a ONG The Nature Conservancy (TNC), a fundação Moore e o Grupo Marfrig anunciaram a criação do projeto “Carne Sustentável: do Campo à Mesa”. Segundo a empresa Walmart, a carne está sendo comercializada desde o início do mês de setembro de 2016, para as lojas do Centro-Oeste e para o estado de São Paulo, com perspectiva de ser comercializado em outras regiões. Em agosto deste ano, o Mc Donald’s anunciou a compra de 250 toneladas de carne sustentável por ano, proveniente do município Alta Floresta, em Mato Grosso.

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