A incomum história do Talentos 10 no futebol

Fundado em 1997, apenas com o futebol de base, o time se profissionalizou este ano.

Por Leonardo Del Sant

O projeto surgiu na década de 1970 com Aristides, na Vila Dutra. O campo ainda era de terra e o time de garotos servia como base para o Ferroviário, time amador do bairro.

A idéia passou de pai para filho. Jorge, filho de Aristides, usava o dinheiro da sua aposentadoria e, em conjunto com a SEMEL (Secretaria Municipal de Esporte e Lazer) passou a aprimorar o trabalho do projeto, comprando equipamentos e atraindo crianças do bairro para a escolinha.

Surgimento do nome

Nesse processo, Jorge levava jogadores para mostrar para os olheiros da base da Ponte Preta, em Campinas. Os comentários a respeito de sua chegada sempre tinham o mesmo tom: “olha o caça-talentos aí chegando”. “O projeto tem de ter talentos no nome”, concluiu Jorge.

O número 10 vem do rei. Antes do menino Pelé ir para o BAC, antigo clube bauruense, ele jogava bola no campinho de terra do time do bairro, o São Paulinho de Curuçá. Com apenas 14 anos, Pelé ainda não era o rei do futebol, mas já era o rei da Vila. Em homenagem, Jorge decidiu colocar o número 10 no seu projeto. Surge o Talentos 10.

Mais de 500 crianças de Bauru e região treinam pelo clube (Foto: Talentos10.com)

Mais de 500 crianças de Bauru e região treinam pelo clube (Foto: Talentos10.com)

Voltando ao começo

E da mesma forma que o Aristides passou para o Jorge todo o ideal do Talentos 10, Jorge passou para seus filhos.

No campeonato 1º de Maio de 1997, dois garotos em especial fizeram parte do time: Giorge e Giovanni, filhos de Jorge. A trajetória no futebol para eles seguiu de forma distinta.

Giovanni se profissionalizou e seguiu jogando como goleiro. Passou pelo time do Marília, Ponte Preta, Grêmio Prudente e hoje em dia é reserva do Atlético Mineiro. Já são 5 anos defendendo a camisa do Galo. Nesse período, foi campeão da Libertadores e disputou o mundial de clubes da FIFA.

Já Giorge, também jogou profissionalmente, mas, devido à lesões, encerrou prematuramente a carreira aos 23 anos de idade. Com isso passou a ajudar seu pai, que, até então, tocava o Talentos 10 sozinho.

Reconhecimento e crescimento

Hoje, o projeto é reconhecido na base do futebol. “É diferente dos outros clubes de base. Nossa metodologia é ensinar a criatividade e respeito ao companheiro, coisa que não é comum. Não é aceito palavrões, meninos com notas vermelhas na escola, além de uma evolução na forma de treinamento. O objetivo é desenvolver futebol padrão e de criatividade, sem ofender o atleta, que às vezes, por bronca, não desenvolve o talento dele”, destaca Giorge.

O próximo passo do projeto é se firmar como um clube profissional, algo que aconteceu nesse ano. Ainda sim, a mentalidade é revelar futuros craques. Além do próprio Giovanni, irmão de Giorge, foram formados pelo Talentos 10 França e Chico, que passaram pelo Palmeiras.

Atualmente, o Talentos 10 disputa a Taça paulista, campeonato profissional paralelo à Federação Paulista de Futebol. Além disso, o clube anunciou uma parceria com o Cori-Sabaá, clube profissional do Piauí, para a disputa da Copa São Paulo de Futebol Júnior, a maior competição de futebol de base do Brasil, que é tradicionalmente disputada em janeiro, no estado de São Paulo.

No último jogo do clube pela Taça paulista, empate em 1 a 1 com o Bebedouro Sport (Foto: facebook.com/Talentos 10 Futebol Clube)

No último jogo do clube pela Taça paulista, empate em 1 a 1 com o Bebedouro Sport (Foto: facebook.com/Talentos 10 Futebol Clube)

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