A mercadoria são elas

Por Tamiris Volcean

O tráfico de pessoas é uma realidade que cresce em números no território europeu. A prática é comparada ao trabalho escravo, o qual apresenta também como finalidade a exploração humana.

De acordo com o Parlamento Europeu, na União Europeia mais de 80% das vítimas são mulheres submetidas à prostituição, trabalho forçado e, principalmente, retirada de órgãos. 15% dessas mulheres ainda são crianças.

Enquanto a quantidade de vítimas cresce exponencialmente, cada vez menos traficantes são condenados. Um reflexo de que a prática é subestimada, uma vez que o número de vítimas identificadas na Europa é cerca de 30 vezes inferior ao número real de ocorrências.

David Ribeiro, especialista em conflitos externos e professor de geopolítica da Universidade Paulista, afirma que as autoridades da União Europeia não consideram as investigações dos casos de tráfico de pessoas como sendo primordiais. “A maior preocupação do governo europeu reside nos processos migratórios. A intenção é barrar cada vez mais o número de imigrantes nos países que fazem parte da União. Neste caso, usam o tráfico como desculpa válida para agir, ainda que se limitem às barreiras territoriais.”, complementa o professor.

Em 2011, o Parlamento adotou uma estratégia para prevenção e combate ao tráfico de seres humanos, principalmente de mulheres e crianças. Esse modelo de mercado escravagista assusta os detentores dos direitos humanos. Atualmente, a ação ilegal chama tanta atenção que chegou a ser reproduzida na novela “Salve Jorge”, transmitida pela Rede Globo.

O cientista social George Tibiriçá, pesquisador do tema, diz que os brasileiros estão entre os preferidos para o tráfico. “Muitas meninas brasileiras acreditam na história de falsas agências de modelo, como na novela Salve Jorge. Pensam que estão indo em busca de um sonho, quando, na verdade, encontrarão seu pior pesadelo”, conta Tibiriçá.

A cada cinco dias uma mulher brasileira é vítima deste tipo de crime. Estão sujeitas ao tráfico interno e externo, conforme levantamento realizado pela Secretaria Nacional de Justiça, em conjunto com o Escritório das Nações Unidas para Drogas e Crimes (UNODC). A maioria é explorada sexualmente, predominantemente jovens mulatas e negras.

 Atualmente, tramita o PL 7370/14, o qual classifica como hediondo os crimes de tráfico de pessoas e de trabalho escravo. Além disso, prevê a concessão de visto permanente e seguro-desemprego para as vítimas.

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