O poder das notícias falsas na internet

Como os boatos espalhados pelas redes sociais podem afetar a vida da população

Por Lucas Cinchetto

As redes sociais se transformaram hoje em um dos principais meios para se conseguir informações. Muitas pessoas utilizam essas plataformas em vez de procurarem sites de grandes jornais ou fontes confiáveis. Isso pode acontecer por conta da falta de tempo da população, e até mesmo pela necessidade em saber da notícia instantaneamente, já que a mídia tradicional demora algum tempo para checar as informações. O problema é que essa necessidade de saber imediatamente acaba levando as pessoas a receberem e difundirem informações inverídicas, que podem causar pânico em uma situação especial.

Foi o caso da rebelião e fuga no CPP3, na cidade de Bauru, no dia 24 de janeiro de 2017. Foram inúmeros os boatos espalhados através do facebook™ e do WhatsApp™ que confundiram a população e causaram uma situação de medo. Os boatos foram inúmeros: detentos que invadiram lojas famosas, morte em supermercados, criminosos que estariam se aproveitando da ação da polícia em procurar detentos para invadir e roubar lojas do centro da cidade.

 

Crédito: Repórter na rua

Crédito: Repórter na Rua/Reprodução

O jornalista e estudioso de redes sociais, Marcelo Bueno, conta que a própria população é a maior vítima. Para ele, os maiores problemas são o de saber reconhecer um boato e uma notícia verdadeira. “Concordo que é muito difícil reconhecer o que é real”, relata. Quando as pessoas compartilham informações sem checar a fonte e não tem a noção da dimensão que uma mentira pode chegar. “O ideal é sempre checar se o boato foi confirmado por alguma autoridade como prefeitura, assessoria de imprensa ou veículo de imprensa. Na dúvida, pense que você pode estar prejudicando a pessoa vítima do boato e piorando uma situação”, explica Marcelo.

E foi o que aconteceu com Mariana, moradora de Bauru. Ela recebeu diversos boatos e ficou com muito medo de algo acontecer com a família. “Fiquei mais tranquila apenas quando cheguei em casa do serviço e vi que não tinha acontecido nada com a minha família”, relata.

Para Marcelo, a imprensa local tem trabalho importante nesses momentos: “O dever do jornalista é apurar com muita responsabilidade tudo, antes de ser público. As pessoas estão conectadas o tempo todo e buscam a informação em tempo real. As TVs e os jornais impressos poderiam ter trabalhado melhor com a divulgação da notícia de acordo com as confirmações que já haviam recebido, mas é irreal considerar que o público vai esperar o jornal do meio dia para a confirmação oficial”. 

O maior problema do pânico criado pela falta de informação, é que ele pode levar a população a tomar medidas drásticas. Como o caso da mulher que foi assassinada no Guarujá, SP em 2014 após ser confundida com uma bruxa que sequestrava crianças. No caso de Bauru, SP Marcelo informa que poderia ter ocorrido: “Você pode ver uma pessoa correndo pelas ruas e achar que é um fugitivo e tomar alguma atitude, esse é um tema muito delicado e devemos ter extrema cautela!”.

 

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